25/09/17

quarenta e nove


Ano a ano vou somando camadas de coisas, que me vão forrando a pele.
Este ano não foi exceção. Acumulei vitórias, descobertas, conquitas e conhecimento.
Ri muito e também chorei. Li alguns livros, mas nunca os suficientes.
Abracei muito e beijei sempre que pude.
Reposicionei decisões e pessoas na teia da minha vida. A teia da nossa vida deve ser composta por todos aqueles que nos acrescentam, nos respeitam e nos merecem; os pequenos elos, como pequeninos fios de vidro e de sol, vão tecendo uma trama forte de dias bonitos e alegrias partilhadas e conquistadas. Para que no fim da vida possamos ter uma manta quentinha, de coisas boas.
Não foi desta, ainda, que fiz marmelada caseira e que fiz o curso de mergulho.
Mas foi este ano que descobri a corrida e a capacidade de dizer não, sem peso.
Deitei a cabeça na minha almofada, todas as noites, com a certeza de missão cumprida, nas pequenas coisas do dia-a-dia.
Conheci gente incrível, reforcei laços e despedi-me de rotinas que fazem parte de um passado que me ensinou a caminhar, direita e sem receio.
Tive as minhas gatas no colo, quase todos os dias, fiz muitas vezes arroz com coentros e ri-me estupidamente com as coisas do meu pai.
Nadei, construí, refiz e escrevi muito.
Cortei o cabelo, andei no monte com a língua de fora, dei aos outros o Teatro em que acredito e trabalhei, todos os dias, para ser uma pessoa melhor.
Apetece-me continuar a fazer isto, pelo menos, por mais um ano.
Com verdade, em consciência, com riso e delicadeza, com garra e com muitos de vocês, que aí estão e que são parte integrante da minha vida.
49 é um numero bonito. Fica bem com a vida. Fica bem com a luz morna da minha sala silenciosa.
E com o Sinatra, que neste momento canta só para mim; fica bem com a minha celebração, a minha paz e o meu sorriso.


“But now the days are short, I'm in the autumn of the years
And now I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year”

21/09/17

sentidos



(autor desconhecido)

Sou cada vez mais olhos. 
E cada vez menos ouvidos e boca.
E só os tenho – os olhos – para as coisas que me interessam.
Há dias comentava com os meus pais que na velhice retomamos certos aspetos da infância.
Não posso estar mais de acordo.

Os meus olhos, hoje, são olhos de pessoa crescida mas aprenderam, eles próprios, a calar, a peneirar, a escutar, a falar.
E sobretudo a tocar.

19/09/17

MonoVisions Photography Awards, 2017

alguns dos vencedores:


“Poseido Rough Voice” by Paolo Lazzarotti. 1st Place in Landscapes (Series)


“Woman + Wolf” by Melissa Amber & Ashley Nicole. 1st Place in Conceptual (Series)


“Angele and Her Son” by Jeannette Gregori. 1st Place in Photojournalism (Single)


“Fishmarket Africa” by Kars Tuinder. Black & White Photo of the Year 2017

18/09/17

coisas que adoro fazer todos os anos e faço essas coisas todos os anos como se fossem grandes coisas

comprar a agenda Moleskine, no inicio do ano.
escolher livros para férias.
escolher o restaurante para jantar no dia dos meus anos.

este ano, a escolha irá ditar um destes:

http://hotelteatro.pt/restaurante-palco/

http://www.oficinaporto.com/pt/

17/09/17

e o balanço perfeito desta cantiga, tão perto

phot. anna morosini


balanço de fim de sábado:
cantiga ao longe. um carro. restolhar pequeno das plantas.
as gatas. ideias. a américa do sul sempre presente.
livros comprados na feira. o canário que dorme.
eu à tua espera. as gatas.

restolhar de uma cantiga na américa do sul.
livros sempre presentes.
tu sempre comigo.

e o balanço perfeito desta cantiga, tão perto.

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