15/11/07

f i c a

Guardava os momentos deles em fotografias.
Com imagem e a imagem às vezes tinha musica e tinha cheiro.
Talvez por isso ela guardasse cada fotografia como se fosse um bocadinho dele.
Pelo menos ela pensava assim.
Podia ser que um dia ela pudesse juntar os muitos bocadinhos para poder fazê-lo inteiro e para depois lhe pedir que não fosse embora amanhã, que demorasse mais tempo, que demorasse o tempo que pudesse.

6 comentários:

Gil disse...

... se ela olhasse bem para os bocadinhos que já reuniu verificava que poderá ter já o essencial dele... o que vai reunir de seguida são por decerto detalhes e que o mais certo é não precisar deles...

marisa disse...

o desejo humano de que algo/alguém "fique", no entanto, tudo é volátil, até o próprio instante se dissipa. daí nos agarrarmos a objectos que nos recordem o que já não é. como seríamos se tivéssemos consciência, para não sermos só meros animais, mas não tivéssemos recordações/memória? mais livres? mais felizes? mais aptos a gozar o momento? não aprenderíamos com os erros cometidos, mas talvez a nossa viagem fosse mais leve...
beijões

juca disse...

talvez precise de guardar de bocadinhos para juntar aos que estão marcados na alma e na pele...

laura disse...

talvez a nossa viagem fosse mais leve, sim. mas há momentos que valem por uma vida. obrigada aos 3.
um beijo.

Anónimo disse...

Laura: manda-me um mail, por favor. queria mandar-te uma coisa e não encontro a tua morada.
cláudia

cljp disse...

E porque não?
Gostei mesmo muito do texto e do blog.
Um abraço

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