14/11/07

o rapaz do alfa pendular

um

Fecho os olhos para tentar dormir.
Ao meu lado uma rapariga de boina de fazenda. Gira, a boina. A rapariga, não sei. Não lhe consigo ver a cara. Está sentada de lado e tem a cara tapada com uma revista, a Premiére.
O rapaz da rapariga da plataforma, do outro lado do corredor, de auscultadores nos ouvidos.
Uma senhora de cabelos brancos, dois lugares à frente, que olha através da janela desde que o comboio partiu. Impressiona-me a sua falta de expressão no rosto. Os rostos têm sempre uma expressão, por mais pequena que seja. Mas não aquele. Tenho dúvidas se ela respira. Parece estar morta.
Pego no meu bloco novo. Sinto sempre uma impressão no estômago, quando vou estrear um caderno. Gosto do cheiro do papel e das folhas brancas, dependentes das minhas palavras.
Com a caneta castanha, na primeira folha, escrevo com uma letra redonda “histórias de comboios”. É uma ideia que me veio à cabeça na última viagem.
Anotar o que vejo, o que sinto, o que me emociona. Escrever histórias pequenas, das pessoas que vejo. Histórias irreais de pessoas reais.
Avanço de página e sem pensar, começo a escrever.

(continua)

4 comentários:

blue disse...

:)

(acho uma óptima ideia)

enxofre disse...

beijos para ti e para as tuas histórias. qualquer dia faço-me de convidado para jantar...!

laura disse...

força. para me contares as novidades da... letónia??? eslovénia?? qualquer coisa terminada em ónia ou énia... beijo para ti.

enxofre disse...

esses países também, mas as maiores novidades são da lituânia e arménia ;)

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