11/08/08

sem saber um do outro, esperavam.
ele esperava ao fim da tarde.
ela esperava ao fim da noite.
ele esperava com a roupa do dia.
ela esperava, vestida de noite.
ele esperava sem acreditar.
ela vivia para esperar.
ele tornara-se cinzento.
ela vestia negro.
ele esperava no 1º andar.
ela esperava na rés do chão.
um dia ele deixou de esperar por ela e enfiou-se num lar e lá ficou a jogar cartas e a ensurdecer até ficar velho.
um dia ela morreu de velha, de vestido preto, ao sair do bar onde esperava, todas as noites.

5 comentários:

Mar Arável disse...

então eu já morri?

blue disse...

que bonito, Laura.

R. disse...

...

~pi disse...

morremos

em bora

respiremos.

bonito, nada, porém,

aconselhável...

há que correr o risco

embora possa ser menos..poético.



beijo

Anónimo disse...

Esperar... como esperamos todos... esperar por alguém... que num minuto torna a vida tão rara e nos dá Chão que há tanto tanto tanto tempo esperamos...

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