02/11/09

cantiga


as mulheres de tornozelos finos
têm um não sei quê de frágil
que a mim me dá vontade de escrever.
parecem-me, os tornozelos, notas musicais, jarras esguias, palhinhas de refresco…
e então quando caminham, ondulantes, de saltos finos, ao sabor do vento,
empoeiram-se-me os olhos com uma cantiga invisível
e fico ali com ar apatetado
a beber aquele serpentear de estímulos
e a pensar na sorte que tenho, eu própria, em ter tornozelos finos
e ser capaz de ouvir, em certos dias,
a modinha do meu próprio caminhar.

5 comentários:

Foxy Ni** disse...

"fico ali com ar apatetado a beber aquele serpentear de estímulos"

é exactamente como fico quando te leio doce Laura :)
Dá-me vontade de ficar mais um pouco, pedir outro café, enconstar-me no canto para voltar a [re]ler e pedir-te só mais um bocadinho. Desse teu charme, do sabor das tuas palavras onde descubro que "as pequenas coisas podem dar origem a grandes momentos."


Obrigada.
Foxy**

Laura Ferreira disse...

Obrigada querida, as tuas palavras deixaram-me "babada".
Fico contente por conseguir chegar aí.
Gosto muito que chegues aqui...

Um beijo.

Teresa disse...

e tu também os tens.

talvez haja quem te olhe e sinta o mesmo :)

carlosré disse...

ui tornozelos finos....

Anónimo disse...

gostei de ler estes textos que escreveu... a fragilidade é quase sempre um motivo da escrita. um beijo, laura.

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