25/03/09

r e q u i e m


quando eu morrer,
pintem-me de vermelho os lábios
e ponham-me eye-liner nos olhos, um risco fino, perfeito, mais que perfeito.
ponham-me blush ao tom da pele, uma cor de pêssego que pareça veludo.
calcem-me uns sapatos de salto e tem de ser de salto muito alto,
(pode ser que eu já tenha os meus almejados Louboutin, de sola vermelha)
e vistam-me qualquer roupa que tenha um ar nobre e elegante,
elegante, sobretudo.
não me estiquem o cabelo, não!
quero os meus caracóis, com creme “curly” a cheirar a qualquer coisa indefinida, mas quero-o, sim, e quero-os, sim, os meus caracóis.
pintem-me de vermelho as unhas das mãos e ponham-me um anel em cada dedo anelar.
brincos, claro, e uma das minhas beloved carteiras, qualquer uma delas,
amo-as a todas, todas têm o toque das minhas mãos e o tique do meu caminhar,
a bater-me nas pernas.
ponham-me lá dentro, da carteirinha,
a imagem do santo expedito que me deu a minha mãe,
o meu porta chaves louis vuitton
um molleskine preto e uma caneta
um lápis, borracha e um tubo de cola
um cigarrinho para o que der e vier
o livro do Virgílio Ferreira “pensar”
uma tesoura e revistas para fazer colagens
uma carteirinha mais pequena para caberem coisas fúteis, mas queridas
um baton mate e um gloss
uma lima das unhas
um pacote de adoçante
uma fotografia dos ferreiras
e uma carteirinha de aspegic.
e ponham, ponham a tocar o “corcovado” do antonio carlos jobim
uma das minhas musicas preferidas,
que me embalam, deliciam
e eternamente,
acompanharão.
(eu, que amo cada dia da minha vida, sempre mais e mais)

20/03/09

conversas de gajas – os sinónimos

pois pois o que tu queres sei eu.
eu não quero nada.
não és tu é aquele ali no canto.
é bem giro.
e tu tás com cara de quem quer alguma coisa.
ele é que quer.
tá a olhar para ti.
tem a carcela aberta.
tem o quê?
a carcela.
o que é isso?
(risos de 2).
é o que vocês chamam de braguilha.
carcela….? puxa…
braguilha sempre é melhor que carcela.
é a mesma coisa.
mas o som é feio.

vai lá dizer-lhe que aperte a cancela.
não é cancela é carcela.
olha, diz-lhe que aperte a portinhola.
???
(risos de todas)
pronto não digas nada…
deixa-o estar assim. eu gosto…
olha, está a olhar.
porque nós rimos.
deixa-o olhar.
é giro.
se calhar é gay.


quando dizes essas coisas assim cortas-nos a cena.
que cena?
assim como?
assim à bruta.

não precisavas de ser assim… tão…
animal…
bravia….
(risos)
olha, ele vai embora.
fizemos um papelote aqui assim a rir.
um papelote?
um papel….
uma figura…
o que é que se passa hoje com vocês? estou a falar chinês?

primavera

ela chegou hoje de manhã...

16/03/09

amizade


acredito na amizade como acredito que amanhã posso não acordar
acredito na amizade como um credo ou um hino
acredito na amizade com gente longe que com perseverança a cultiva todos os dias.
acredito na amizade feita de palavras sem rosto e sem voz
acredito na amizade ao natural ou com gelo
mastigada ou bruta.
acredito na amizade da um dia ou de mil
acredito na amizade suada, naif, patética e clássica.
acredito na amizade roubada, vestida a rigor, jurada com sangue juvenil.
acredito na amizade a cheirar a sabonete ou a cigarrilha
a andar de cabriolet ou a fazer a primeira comunhão.
acredito nos amigos que escolho e ainda nos que vêm ter às minhas mãos
por causa das palavras que escrevo.
amo os amigos que guardo em cada dedo das mãos,
como se fossem dedos e não os pudesse arrancar porque me são vitais.
honro, agasalho, mimo e invisto nos meus amigos
como se fosse sempre o meu dia ultimo.


12/03/09

3


três anos decorridos ela ainda conseguia projectá-lo, com a câmara de amor dos olhos,
nas paredes do quarto,
entre luzinhas de sono e coisas brancas a cair, muito leves,
à floresta encantada de ridley scott
e ficar a olhá-lo com cara apaixonada e deixar-se verter água de paixão dos olhos
e essa água percorria-lhe a face até à boca, salgando-a e dando-lhe a sensação de um abraço quente e protector,
e depois fazia a linha do queixo como se fosse um dedo,
desceria pelo pescoço como língua,
penetrava-lhe o decote e aquecia-lhe o peito para se perder mais abaixo
quando se desdobrava em muitas,lágrimas,
que lhe corriam pelo corpo, velozes,
porque queriam tudo, queriam-na, muito...
porque ele era assim tão simplesmente transformado em água
e esta era a única maneira de ela o conseguir ter mais perto de si.
dentro de si.

coisas boas para fazer a dois...


dar a mão àquela pessoa que amamos, até mesmo para atravessar a rua.
fazer coisas idiotas com a nossa melhor amiga, nem que seja rir... de sono...



preparar para alguém que nos é especial um sítio para estar, só estar...mesmo que seja em silêncio.
a comida que nunca se experimentou.

o amor de irmãos.








10/03/09

voar

voar mesmo sem asas
à noite
de encontro ao tecto do meu quarto cheio de estrelas
de encontro a tantas estrelas que eu já quis ser.
talvez pudesse tranformar-me numa estrela.
quis em tempos ser uma estrela.
aqui neste meu canto sou.
e voo e não me magoo se cair.
e brilho sempre.
no universo da minha fantasia.

Alice - Queres uma história? Eu vou escrever-te uma história. E vou escrever como sempre faço. Com o coração cheio de coisas e essas coisas a escorrerem-me para os dedos. Está quase, ainda estou a acabar de pensar. Também existe o momento certo, para começar a escrever. Há um momento certo para tudo. (pausa) Vou escrever-te a mais bonita das histórias. E tu com ela farás o que quiseres. Um filme, um momento, uma filosofia de vida. Será “A” Historia. Mas antes, assim em jeito de prólogo, queria agradecer-te. O teres-me fechado neste quarto. O teres-me “acordado” mesmo sem o teres feito. O teu adormecer foi… o meu acordar. Acho que é um bom título para uma história….

in "a preto e branco".

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