29/01/10

uff


pensou: será que é desta que se foram as palavras?
Depois de 4 peças escritas e coisas à pressa na agenda e no diário, e coisas no trabalho, e tudo,
e receitas passadas a limpo e relatórios e sabe-se lá mais o quê,
não há palavras que resistam, pensava enquanto as desbaratava no dia a dia e também as pensava, sim, porque ao pensar muito ela também as gastava
e houve um momento no seu dia em que teve um medo que lhe pôs os dedos tortos
e o olho a tremer e pegou numa caneta e abanou-a nervosamente
abriu a pasta das imagens do computador devagarinho para não acordar o pânico
e olhou:
Lá estavam elas.
A piscar-lhe o olho, a chamá-la com o dedinho indicador
Com as vozinhas a preto e branco ou a cor a dizer“agora sou eu” agora sou eu"
E então.
Escreveu.

4 comentários:

Patti disse...

Que alívio!

Arábica disse...

O tempo, a pele que se despe, o eu que espreita, sobe, toma conta de nós. A bom tempo se volta.

Beijos, bom sábado -sem nostalgia!

Camomila disse...

uuufaaaa, (respiro de alivio), o que seria eu sem as tuas letras todas juntinhas a darem mais que um sentido aos meus olhos :)

beijinho*

continuação de boa escrita

Carlos Pires disse...

Parece relacionar-se com as palavras do mesmo modo que alguns pastores se relacionam com as ovelhas. Não aqueles pastores que com a ajuda de cães andam sempre a controlar o rebanho, mas aqueles que deixam os bichos pastar à vontade durante algumas horas e depois vão à procura delas. E como a serra é vasta já se sabe que por vezes têm dificuldade em encontrá-las.

Arquivo