27/10/10

poça para o polvo


Há já vários dias que me sento, depois de comer a tigela de sopa sem batata e a salada rotineira, representativas de uma dieta equilibrada compostinha, no sofá, onde me aquieto com o cerebelo cheio de batatas fritas e muito pão, cestos de pão, de todos os tipos de pães
e espero, melancólica, que surja uma, só uma notícia que seja boa, só peço uma, não é pedir muito… que me retire desta míngua de comidinha boa e dos agoiros constantes de uma recessão que já se pressente.
E eis que até a morte de um polvo é notícia de Telejornal de horário Nobre. O polvo adivinho.
Já se construiu uma estátua para o polvo. A Rússia queria comprar o polvo.
E o polvo morreu. Morreu, coitadinho. Será que o comeram?
(….)
Bem-feita. Quem me manda ver o noticiário?
Ainda por cima, sonhei que um polvo gigante, azul bebé, com olhos de desenho animado, andava perdido no meu quarto, a voar, a atazanar-me a alma.
A mim e às minhas gatas.

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