27/03/10

"uma voz, uma consciência"


Projecto per.Cri.Arte

O Projecto Per.Cri.Arte é a primeira iniciativa pedagógica, ambiental e social do grupo de percussão be-dom que, sendo inteiramente vocacionada para os mais novos, já conquistou uma identidade e voz próprias.
Apoiado pela Câmara Municipal de Valongo e pelo grupo de teatro Palavras Loucas Orelhas Moucas, o Per.Cri.Arte promoveu oficinas artísticas nas vertentes da percussão e música, teatro e movimento, das quais resultaram os ingredientes para a elaboração de um espectáculo lúdico, divertido, musical, ecológico, criativo e indutor de reflexão, com o nome de "uma voz, uma consciência".


“Ambiente e consciência, consciência e ambiente… blá blá blá.. que seca …”
É este o ponto de partida do espectáculo “uma voz, uma consciência”.
Matias, um estudante como tantos outros, tem que fazer um trabalho de casa para uma disciplina da escola subordinado ao tema “consciência e ambiente”.
Habitualmente distanciado e pouco preocupado com estes temas, Matias vê-se de repente mergulhado num universo onde tudo pode acontecer e acontece, sendo visitado por personagens incríveis que falam, riem, fazem música e dançam: a sua própria consciência, pinguins, tribos distantes, árvores zangadas e doces, elefantes… Imaginação? Sonho?
Certo é que todas estas personagens vieram ensinar a Matias uma lição importante. Uma lição de vida.
Para que o mundo, que está ao serviço de todos,
não seja alvo do desporto de cada um.

Equipa Per.Cri.Arte:
Paulo Coelho de Castro, André Silva, Gisela Baltazar, André Santos

Participação especial:
Palavras Loucas Orelhas Moucas - Associação de Teatro
(Laura Ferreira, Isabel Ferreira)

Artistas Per.Cri.Arte:
Bruno, Marcelo, Jorge, Inês, Inês Coelho de Castro, Alexandra Leite, Nuno, Ana Lu, Bárbara, Mariana, Flávia, Mica, Leo, Tita, Catarina, Joana, Ana

Texto:
Laura Ferreira

Adaptação:
Per.Cri.Arte

Música “uma voz uma consciência”:
Paulo Coelho de Castro

Desenho de Som:
Paulo Coelho de Castro / André Silva

Encenação:
Equipa Per.Cri.Arte

Coreografias:
Gisela Baltazar

Produção:
Equipa Per.Cri.Arte

Figurinos:
Isabel Ferreira

Cenografia e Adereços:
Isabel Ferreira e Per.Cri.Arte

Instrumentos musicais:
Paulo Coelho de Castro

Som:
Rui Ferreira

Vídeo e imagem:
Tiago Silva

Desenho e Operação de Luz:
Luís Ribeiro

Participação especial:
be-dom

Cerca de 90% dos instrumentos, figurinos e cenário do espectáculo "uma voz, uma consciência" foram construídos com "lixo".
De qualquer forma, já há que chegue e por isso pedimos: reduza os seus desperdícios, reutilize o que for possível e recicle o que ainda fizer.
Os artistas e a equipa Per.Cri.Arte agradecem.

24/03/10

growth

se ela continuar a regar pode ser que eu cresca.

prince charming


silêncio por favor


Eu não tenho nada contra os brasileiros, muito pelo contrário, a bossa nova até é o meu género de musica preferida mas deviam proibir a permanência de brasileiros em certos sítios.
Melhor, das brasileiras.
Esta semana fui a uma consulta de cardiologia no Hospital Privado do Porto.
Quando me sentei na sala de espera convenci-me que ia ter, finalmente, um tempinho para relaxar. Não só porque o local era aparentemente silenciosos mas também porque a média de idades das pessoas que lá esperavam (antes de eu entrar) rondaria os 70 e muitos anos.
Sentei-me pois, ante os olhares mortiços dos velhinhos parados e de corações que já conheceram melhores dias.
E estou a acabar de soltar um longo suspiro quando, atrás de mim, ouço chiar umas sapatilhas no soalho brilhante. Mas atrás do chiar veio pior: uns passinhos terrivelmente saltitantes encabeçados por um corpo magríssimo, apertado numas calças de ganga justas e uma camisola polar.
E a encabeçar a figura, um rosto fino e pequeno, com um cabelo igualmente pequeno que mais parecia ter vida própria e uma voz de tabaco, a perguntar “algum dos senhores deseja ir no banheiro?” E a seguir umas palminhas mágicas, como se ir à casa de banho fosse a melhor coisa que podia acontecer na vida daqueles velhos.
Bem, na verdade foi só o começo.
A mulher brasileira que parecia um lápis na verdade andava a fazer uma espécie de voluntariado que mais parecia a instrução militar.
Aparecia com copos de água, agarrava nos queixos dos velhinhos, apertava-os e os desgraçados não tinham outro remédio senão abrir as boquinhas enrugadas e receber a água pela goela abaixo.
Depois chiava até ao balde do lixo, deitava nele o copo de plástico e lá voltava com mais palminhas e promessas de passeios.
Eu estava aterrada, a ver todo aquele movimento de copos e velhinhos a despejar a água que bebiam, obrigados, nas retretes, a desejar com todas as minhas forças que aquela mulher-insecto não me visse…Mas viu.
E chiou aos saltinhos até à minha frente e bateu uma palminha e despejou-me um cinzeiro de palavras à frente da minha boca: “e a moça? Precisa de alguma coisa?”
Eu até me considero uma pessoa simpática. Mas naquele momento senti uma total solidariedade para com aqueles velhinhos afligidos e incorporei uma personagem terrifica de um dos tantos filmes que já vi e devo tê-lo feito tão bem que a mulher-brasileira-lápis quando recebeu o meu olhar deu um salto para trás, abriu os olhos, chiou com marcha atrás e foi fazer voluntariado para outra sala de espera.
Deixando-me a mim com uma terrível sensação de alivio.
E deixando as bexigas dos velhinhos sossegadas.

08/03/10

for sure

hoje encontrei o teu perfume deitado à minha espera e deitei-me com ele.
eu no lado direito e ele no lado esquerdo.
e dormi feliz. com a luz apagada.
e com a certeza de me poder despedir dele na manhã seguinte.

"you only live twice"




Gosto do barulho do fundo do mar.
É parecido com o barulho da minha cabeça em certas noites de muito cansaço.
E porque se trata de um barulho que inevitavelmente me leva ao repouso
eu digo, certa do que digo,
que se pudesse, me deitaria todas as noites no fundo do mar,
com um vestido vermelho de veludo
batôn a condizer
e a música "You only live twice", do John Barry, para me embalar.

06/03/10

self-portrait





avatar

Quando for velha quero ter uma colecção de bonecas
que seja capaz de me entreter todos os dias que me restarem,
contando-me histórias de vizinhas e defuntos,
amigas distantes e ex cunhados.
Que sejam até capazes de dormirem comigo uma sesta
e que estremeçam ao adormecer.
Até comigo chorar, com saudades daqueles que já não estão.
Que contem comigo, pelos dedos, as peças de teatro e as viagens.
Que guardem as histórias e vozes
as músicas da minha vida e as palavras perdidas nos tantos cadernos.
E que contem, com as vozes que eu lhes dei,
a história sobre a rapariga que adorava bonecas e que nunca foi mãe.

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