31/05/10


27/05/10

sempre


Ontem acendi todas as luzes de casa e da noite.
E procurei-te, depois, nas sombras, nos matizados das cores.
Procurei-te na reminiscência dos azuis
Procurei-te na fugacidade do pó
nos ruídos involuntários e… encontrei-te.
Porque todos os dias te empresto aos instantes livres do meu consciente
e te faço morar, inteiro, em cada um dos lugares que percorro.
Para que, mesmo quando não estás, eu te possa encontrar. Sempre.

aos miúdos perdoam-se as coisas estúpidas

Não, não quero ouvir. Posso? Não ouvir?
Se continuar a fazer coisas de miúda toda a gente vai achar que eu sou uma miúda e aos miúdos perdoam-se algumas coisas.
Não quero ouvir. Pode ser?Perdoas-me se não ouvir?
Podes falar na mesma e eu estarei a olhar para ti com ar inteligente mas só isso. Só o ar. Inteligente. Porque não estarei a ouvir.
Posso? Fingir que não ouço?E que está tudo bem?
Que algumas das palavras que ouvi não foram ditas?
Que foi um daqueles sonhos que às vezes sonho em que se mistura o que se disse,
o que ficou por dizer, o que jamais se dirá e o que é ainda o espírito do que pode vir a ser.
E na confusão do suor do sonho e da vigília perde-se o que se sonhou e o que se ouviu.
Só desta vez, sim?Para a próxima prometo que ouço.
Mas sabes, há alturas em que conheço tão bem os limites do meu entender
que te asseguro, que é melhor para todos, que eu me ponha a fazer uma coisa realmente estúpida.
Aos miúdos perdoam-se as coisas estúpidas.
Aos surdos, será que também?

thank God i'm not the only one!


Eu podia ter ficado contente porque perdi 1 kg
ou porque o espigado do cabelo finalmente foi para as urtigas
mas não
fiquei contente por ter lido aquele post sobre “cair”
e por saber que há alguém que também cai de vez em quando
e apeteceu-me de repente fazer um grupo no Facebook sobre as raparigas que caem sem querer
e quando penso nisto
penso naquela história terrível da rapariga adolescente na beira da piscina num dia de sol
adolescente magra dourada elegante
que escorrega e pimba dentro da piscina
queda inoportuna feiosa sem a ter avisado sem lhe ter pedido
e quando a rapariga sai da piscina
humilhada e zangada com a piscina e com o sol e com tudo
tenta tenta recuperar aquele momento efémero
em que tudo se conjugou: sol piscina bronzeado e movimento ondulante do corpo magro
e começa a serpentear-se com música nos calcanhares
mas eis que tem
tem e não podia ter
a beirinha da parte de baixo do bikini metida no
só um bocadinho mesmo um bocadinho aquela beirinha
mas é o suficiente para que se arruíne o momento
não há beleza que resista
lá se vai a rapariga para debaixo do guarda-sol
tapa a cara com uma revista
e fica ali o resto da tarde a rever baixinho todas as palavras feias que conhece
e todas as outras que, naquela tarde de sol, inventou.

Para a Foxy.

20/05/10

histórias dos setentas

- Ai. – Disse ela.
- O que foi? – Perguntou ele.
- Que nos apanham.
- Ninguém dá fé que estamos aqui.. – Disse ele ainda ruborizado a apertar o botão das calças.
- Sei lá. Parece que nos espreitam. – Disse ela ainda a endireitar a calçinha.
- Impressão tua. – Disse ele com a respiração ainda meia acelerada.
- Tu nunca vês nada!... – Disse ela ainda um bocadinho zangada.
- Anda cá para a minha beira que te ajeito o puxo. – Disse ele com a boca ainda seca.
- Isto não é um puxo. É um rabo de cavalo. – Disse ela um nadinha mais irritada.
- Seja o que for. Está torto. Vamos mas é lanchar. Estou cheio da fome. - Disse ele a salivar.
- Estás sempre com fome. – Disse ela a fazer beicinho.
- Comi peixe ao almoço. Peixe não puxa carroça. – Disse ele sorridente.
- Que é que queres lanchar? – Perguntou ela com voz de dona de casa.
- Pão com tulicreme e leite com Ovomaltine. – Disse ele com voz de miúdo de catequese.
E passaram, depois, a tarde a rir.

18/05/10

chá, fitness e história económica


é que tu partes e eu fico insuportável.

estar a mais de 380 km é... pronto, não dá. é demais.

eu sei que há coisas piores.

mas também há pessoas que estão juntas 4 vezes por semana e vão jantar fora

e conseguem estar sem proferir uma palavra durante a refeição.

na outra noite eu adormeci. a falar . lembras-te?

falo muito. fazes-me falar.

quando partes assim para longe ainda me fazes querer falar mais.

e fico à tua espera a desfiar palavras

como se rezasse um rosário feito de saudades,

bichanando palavras de amor

e bebericando chá de cavalinha
na esperança infantil de tu voltares mais depressa.

11/05/10

sim-sa-la-bim

O Papa chegou hoje e foi recebido com lenços bandeiras e “vivas”.
O Benfica foi campeão e também se ouviram muitos “viva”.
A actividade do vulcão islandês poderá intensificar-se nos próximos dias.
Construtores perderam milhões com recuo das obras.
A taxa de desemprego sobe.
O optimismo dos portugueses desce.
Gostava de ter a possibilidade de dar a volta a este país, fosse de que maneira fosse, até mesmo com um passe de mágica.

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