22/09/10

eu sim e tu também

comprei uma planta imaginária.
e coloquei-a num dos cantinhos da minha sala.
é pequena, frágil e dorme muito.
pedi-lhe ao ouvido um disparate e ela assentiu.
e decidimos então que vamos, ambas, 
crescer  
em força, verde, esplendor e vontade.
e vamos fazer muitas coisas
juntas e separadas
e viver bem verdes
por muitos e bons anos.

10/09/10

confort zone

às vezes é bom deixarmo-nos ficar pela nossa zona de conforto.
onde sabemos ser "reis" e "senhores".
como se fôssemos à praia e ficássemos só a molhar os pezinhos naquela zona em que a água nos dá pelos tornozelos.
é bom, ver certas coisas de longe.
é bom... não ter receios porque nada fazemos de mais radical.
é bom inovar mas é melhor não arriscar.
mas o mal vem quando um dia alguém nos dá a mão
e nos leva mar-a-dentro.
molhamo-nos a custo, "não quero, já disse que não quero", molhamos os ombros
"tenho frio vou embora", avançamos mais um pouco
e um dia mergulhamos mesmo de cabeça.
e depois noutro dia damo-nos conta que vivemos a vida inteira na zona morninha de mar calmo
e isso foi bom, foi muito bom...
... mas há tanto mar para ver.

07/09/10

clic


- Tens a certeza?
- I'm sure about that.
- Mas não se vê tudo.
- Não precisas de ver tudo.
- Mas está cortada!
- Depende do ponto de vista.
- É o que eu vejo daqui.
- A visão dos outros pode não ser essa.
- E como é que sabes que os outros vão gostar?
- Não sei. Mas a piada está aí.
- A piada?
- Sim.
(Silêncio)
- Não achamos muita graça às mesmas coisas, pois não?

nim

às vezes, a virtude está precisamente no meio.
naquele espaçozinho
em que o "não" não precisa ser redondo
 e o "sim" não é, também, a solução.

02/09/10

Casillero del Diablo

Levantaram os copos e… PLIM.
Nos primeiros anos, chegava a altura de se tocarem, através dos copos, e sabiam sempre o que dizer. Palavras afáveis ou acaloradas, frases curtas, vibrantes 
Com um significado que para ele era mais ou menos importante
mas que para ela selaria mais uma data memorável.
Os anos foram passando e eles, PLIM.
Mas as palavras foram diminuindo.
Ela ficava à espera que ele dissesse qualquer coisa.
Ele ficava à espera que ela se esquecesse de ficar à espera de ele dizer qualquer coisa.
Às tantas já se riam porque erguiam os copos e olhavam um para o outro e as palavras não saíam.
Mas depois, lá acabavam por fazer…
PLIM.
E as pessoas não percebiam porque é que eles tinham aquela necessidade de brindar
cada vez que bebiam vinho tinto.
Eles também não.
É que achavam imensa graça àquele gesto instituído, tacitamente,
 que de certa forma, lhes lembrava que há coisas que simplesmente não devem morrer.

01/09/10

avé maria cheia de graça, fazei-me escrever


Gostava de encontrar a minha voz interior
E pedir-lhe para não ser tão preguiçosa
E que me soprasse mais vezes, ao ouvido,
As historinhas que eu adoro escrever.

my dearest lisbeth

As minhas noites têm tido alguma coisa de “ficção científica misturada com filme de acção”
Já que tenho a sensação que ando aos pinotes
A saltar escarpas e a esmurrar gigantes loiros
Entoando o “meu bem, meu mal” do Caetano Veloso na boca da Gal
Envolvida mascaradamente em negócios ilícitos
e clamando justiça junto das autoridades competentes
de forma a desmascarar os policias corruptos que vou encontrando pelo caminho
e que aos grupos de 4
entoam com vozes afinadas o “debaixo dos panos” do Ney Matogrosso.
Isto que sonho parece uma refeição gourmet, variada e sofisticada
Com um apontamentozinho genial, aqui e ali.
Ando infantilmente viciada na Série Millennium do Stieg Larsson
e na sua heroína Lisbeth Salander
que me faz ficar a ler até me babar para as folhas
e por isso acordo estafada todas as manhãs.
Mas nunca tenho vontade de me deitar cedo à noite.

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