24/12/10

carta ao Pai Natal

Pai Natal,
May I?
Tenho 42 anos, não acredito em ti, mas de qualquer forma queria pedir-te umas coisinhas.
Deixa ficar comigo por mais uns anos aqueles que mais amo. Todos.
Dá-nos saúde e poupa-nos a mais dor. Pode ser?
É que dói-nos muito ver doentes aqueles que mais amamos.
Podes continuar a embranquecer os cabelos do meu pai e os ossos da minha mãe, mas mantém-nos mais uns anos, perto de mim, sim?
Dá ânimo, força e coragem às minhas irmãs e imão. Criatividade e alento para os momentos difíceis.
Fins-de-semana para degustar, conversar de nadas e abraços fortes.
Protege a minha Rosi e a minha Teresa.
e protege, se não for pedir muito, Toda a minha Família.
Dá muita luz à minha Flor, Gil e David, que fazem parte da minha família, embora não sejam de sangue.
E muita e bela vida aos meus amigos do peito: Joana Melo, Nanci, Rosário, Marlene, Sónia, Joana Bastos, Gi, Cristina B., João Castro, Paulo Couto, Maria João Tudela, Ari, João de Faria, Júnior Sampaio, Piedade e a todos os outros que não mencionei.
Mantém-me sempre por perto do André e do Tiago, para nos ensinarmos todos os dias, como ainda hoje acontece.
Faz com que as minhas filhas gatas fiquem comigo mais um ano. Pelo menos até ao ano.
Elas precisam de mim. E eu preciso muito delas.
E por último, protege-me a mim e aquele a quem tanto amo
Nesta nova caminhada, que se avizinha,
e que é difícil
mas que pode ser:
a viagem mais bonita da minha vida.
Não é pedir muito, pois não?

17/12/10


 quando era miúda roubava sebentas às meias dúzias, para escrever e desenhar,
do armarinho da secretária da minha professora primária
que era uma senhora alta, de cabelo carregadinho de laca, bastante antipáitca e com unhas perfeitas e pintadinhas de cor-de-rosa.
 para além das reguadas que levei nas mãos, um dia ela chamou a minha mãe e fez-lhe queixa
e a minha mãe ralhou-me imenso e obrigou-me a devolver tudo.
eu devolvi, mas as sebentas estavam todas escritas e cheiinhas de desenhos.
eu acho que foi por isso que a minha professora primária nunca gostou de mim.
FELIZ NATAL

15/12/10

red demon

maldito vermelho que não me sai dos sonhos.
quando durmo e quando estou acordada.
- És uma mulher muito inconstante.
- Eu sei. Isso é bom ou mau?
- Depende. Pode ser bom numas coisas e mau noutras.
- Isso trata-se?
- Toma-se consciência. E depois aprende-se a viver com isso.
- Hm. Não sei se gostei de saber.
- É como o sinal que tens na mão. Ou a marca do braço. E a mancha da testa.
- Prefiro mudar de assunto.
- Nem pensar. Agora vamos até ao fim.

(E fomos. E doeu.)

cinderella

sei haver um sapato à medida do meu pé.

sei-o de cor, de que cor, sei-o de tamanho.
sei-o de olhos fechados, com frio e com calor.
encontrei-o e já o deixei fugir várias vezes.
não sei algum dia voltarei a calçá-lo.
não porque o tamanho tenha mudado.
mas porque outra pessoa se possa ter apoderado dele.
era lindo o meu sapato.
mesmo à medida do meu pé.
e eu sentia-me linda com ele.
 cheguei a acreditar que podia ser o "sapato da cinderella"
que muitas mulheres passam uma vida a procurar.
continuo a acreditar.
ainda que saiba que possa nunca mais
voltar a ser o meu sapato.

14/12/10

gostava de ter umas bolinhas mágicas que pudesse deitar em qualquer sítio
para com elas poder conversar sobre coisas futuras
e para lhes fazer aquelas perguntas que não têm resposta.

13/12/10

 sonhou-se vestida de vermelho,
com pedras e luzes de velas
e malmequeres nos cabelos.
e tudo se fez vermelho, até as músicas.
porque como alguém um dia lhe havia dito
"o amor é vermelho e arde".

09/12/10

a estátua com ar mortiço

tinha um ar triste, lá isso tinha, ela bem não queria, mas diziam-lhe ultimamente, "estás com um ar mortiço", e ela não achou grande graça, "mortiço" é assim uma coisa meia morta, e de mortos ela fugia a sete pés, mas a verdade é que foi sonhar com aquilo e sonhou que havia sido transformada em estátua, e que habitava agora uma praça pública, no centro, onde todos podiam observar o ar "mortiço" e se calhar foi por isso que deciciu, no dia seguinte, começar a por um bocadinho mais de base e rouge, no rosto.
mas a estátua era belíssima, lá isso era.
mas tinha um ar "mortiço".
e isso ela não podia suportar.
- Pois sim.
- Pode ser.
- Oh, claro que sim.
- Já que insiste…

08/12/10

sim.
um dia torno-me numa mulher crescida.

07/12/10

stand-by

Às vezes
gostava de ter a possibilidade
de fazer-me CTrl+Alt+Delete
para ficar em suspensão.

03/12/10

a rapariga que gostava de levar

ela levava:
os amigos à sua frente
a família ao lado
e as gatas atrás.
e continuava à espera que um dia alguém a levasse.

as melhores amigas

Passaram por tudo juntas.
Até pelos momentos em que não lhes apetecia fazer nada.


nem tudo é o que parece.

02/12/10

eles são tão elegantes...

Há dias perguntaram-me: porque é que o teu blog é tão feminino?
E eu respondi: porque tudo na minha vida tem a ver com o feminino, até os textos que escrevo.
E depois ficaram com um ar malicioso e continuaram: Mas tu és...
E eu, que estou careca de saber que toda a gente tem vontade de me fazer essa pergunta, respondi: Não, não sou. Sou hetero.
E depois notei algum alívio na interlocutora e isso irritou-me um bocadinho porque para mim um blog não tem que ter sexo e quem nele escreve é livre de ser o que muito bem lhe apetece.

Por isso, hoje decidi criar um "tag" com o nome de "man", não porque me sinta obrigada, mas para partilhar com todos(as) o que realmente me encanta no mundo masculino.
(curiosamente, algumas das fotografias que hoje aqui deixo são de homens que se diz, eram gay.)


smoke

fot. William Klein

fumar mata.
mas é bom como o caraças.

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