11/11/11

a mulher tempo e o homem erosão


phot. pedro tudela at http://instagrid.me/pedrotudela/

Encontraram-se anos depois. Já as faces eram pedra e o tempo erosão.
Mas os corações guardavam ainda partícula de tempos idos em que as raras palavras trocadas haviam escrito grandes livros.
Ela estava velha, desusada e meia desfeita. Mas guardava nos olhos um fio de juventude que lhe conferia ainda um pouco de luz.
Ele estava velho, desusado e meio desfeito. Mas guardava nos olhos um fio de juventude que lhe conferia ainda um pouco de luz.
Então ela desferiu, sem medo, porque há uma idade em que as pessoas deixam de temer seja aquilo que for:
- Então, vamos sair?
E ele anuiu, porque há uma idade em que as respostas, para certas coisas, deixam de ser não.
E foram juntos assistir a um bailado porque os seus corpos já não podiam bailar.
Mas tudo neles bailou principalmente as palavras e as mãos.
E finalmente decidiram ficar juntos, porque há uma idade em que o tempo escasseia e os medos passam a ser uma certeza.

(para a minha mana.)

4 comentários:

Anónimo disse...

Lindíssimo Laura! Tem a essência de duas grandes verdade, enquanto se vive nunca é tarde para nada e a idade tira os medos (até o da morte...). Adorei!
beijos

Luis Eme disse...

tudo é possível. :)

Mar Arável disse...

Há casos assim

Pedro M disse...

Há um tempo para tudo... e por vezes há amores que um dia proibidos se tornam livres como as andorinhas

Um beijo

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