31/01/11

Coco

 

Coco, Fench Designer.

28/01/11

Rapunzel

 
Phot. Tom Hines

pediu-lhe que a encontrasse na estação
e que corresse para ela
como num filme do cinema
como nos filmes da cabeça dela.
nesse dia sentia-se capaz de lhe pedir tudo
até que subisse pela janela
pelo lençol 
ou então pelos cabelos
(desde que subisse)
como naquele conto de criança da princesa que tinha cabelos compridos
e que se chamava Rapunzel.

Louis Vuitton


E os sapatos da Louis Vuitton, em Bond Street, Londres.

Tom Ford

gosto. gosto muito.
da publicidade do Tom Ford.

25/01/11

aquele bocadinho que era só seu

Phot.Pedro Tudela  /  30 Dezembro 2010

Alugou aquela casa por causa da ombreira da porta para o quarto e fez questão de manter aquele bocadinho de papel de outros tempos que parecia respirar passado, através da cor,
ainda que o resto da casa tivesse um rosto lavado e contemporâneo.
E sim, o resto da casa era tão reparada que houve até quem lhe dissesse “a tua casa merecia estar numa revista” e muita gente também quedava-se ao pé daquela ombreira e ficava com um ar estarrecido
e os mais íntimos até lhe tinham dito “bolas, quando é que tu mandas deitar isso abaixo”?
Ela disponibilizara-se a explicar, pelo menos a esses, a razão que a levara a deixar ficar ali aquele bocado de papel e de madeira que, juntos, lhe traziam a infância e a memória das casas que povoaram a sua juventude mas ainda assim as pessoas não entenderam.
E sentiu-se ligeiramente afectada com a agudeza das tantas palavras proferidas àquele seu bocadinho
porque ele era, em conjunto com tantas outras coisas, a materialização da saudade de outros tempos
e da felicidade, consumada, de uma vida cheia de reminiscências e sentidos.
Talvez por isso nunca tenha saído daquele espaço.
Enriqueceu, viveu anos gloriosos e conheceu o mundo.
Amou derradeiramente e foi amada como poucas.
Re-decorou a casa dezenas de vezes mas nunca deixou que ninguém tocasse naquele seu bocadinho.
E um dia, quando se permitiu parar para envelhecer, sentou-se numa cadeira de baloiço,
defronte para a sua parede e deixou-se ficar ali, invernos após verão,
a sumir-se em sintonia com a vida daquele papel.
E morreu, feliz, quando o verde desapareceu das pétalas das flores.
E quando no seu coração já não cabia mais nada.

brothers

Phot. Pedro Tudela
(aniversário da nossa Rosi, 22 de Janeiro de 2011)

somos assim felizes quando jantamos ou quando ceamos no natal
nas férias nos fins-de-semana no cinema nas estreias
nos jogos de cartas e no jogo do lobisomem
no teatro nos concertos
mesmo quando estamos longe
somos assim: felizes.

david downton







se eu soubesse desenhar era assim, sem qualquer dúvida, que gostaria de o fazer...

Sharky Tea Infuser

 
Por todos os motivos e mais alguns
adorava beber um chá usando este "acessório" fantástico
do argentino Pablo Matteoda, que diz, enter outras coisas

“Sharky is a floating tea-infuser that looks like a shark fin marauding through the dangerous waters of your tea mug that simultaneously releases streamers of steeped tea that look suspiciously like the detritus after a nasty shark attack.”

chanel noirs

 
dá vontade de usar,
quase se consegue adivinhar a textura
e sentir perfume.

24/01/11

Laura Laine

leve

 
Phot. Yamamoto Masao
sim penso que a leveza esteja em cada um de nós
basta ter um bocadinho de trabalho
exercitar a mente e alegrar o espírito com coisas pequenas.

Phot. Alison Brady

este fim-de-semana
estive a arrumar gavetas
e estive a arrumar-me a mim.

21/01/11

toi

apetecia-me fazer uma malinha
meter lá roupa interior
vestir-me coquete e afrancesada
meter-me num avião e aterrar num piscar em Paris.
encontrar-te com o nariz frio
e colar-me à tua boca quente
e depois correr lojas e jardins
falando com um sotaque impecável
e bebendo uma flute de moet & chandon
(depois de termos feito... plim).


a rapariga que pendia para o lado esquerdo

Fazia-o desde tenra idade, ainda que não soubesse andar.
A mãe deitava-a depois de mamar e ela escorregava, paulatinamente,
com os olhos meigos da ternura e do leite, para o lado esquerdo do berço.
Na escola primária fazia corridas desenfreadas com os rapazes, no recreio, e chegava à meta em primeiro, mas completamente fora da área útil que a corrida abrangia. Integralmente encostada ao lado esquerdo.
Em adolescente apareceram-lhe as primeiras borbulhas e ela andava de cabeça baixa, nos passeios da rua, com uma tendência de se colar rentinha à parede, pendendo timidamente para o lado esquerdo.
Quando calçou os primeiros saltos altos torceu o pé esquerdo uma boa dúzia de vezes.
E quando se habituou a esses saltos altos
caminhava, languidamente, com um ar seguro e cadenciado
tendendo ligeira mas harmoniosamente para o lado esquerdo.
Um dia decidiu sentar-se para pensar no assunto.
Foi ao Google, falou com amigas.
Consultou psicólogas e folheou livros à procura de tal tendência.
Numa folha de Excel apontou causas, efeitos, atenuantes e agravantes.
Dias em que isso acontecia assim-assim, momentos em que isso acontecia com particular destaque.
Concluiu então que o seu andar pendia para o lado esquerdo por causa do coração.
Não que ele fosse maior do que o das outras pessoas.
Mas porque estava demasiado cheio de coisas:
pessoas, acontecimentos, imagens, memórias, perfumes,
músicas, mortos, gatas, batatas fritas, sapatos,
amor
velas, jantares, viagens, baralhos de cartas, brindes, livros e recortes.
E pensou que se calhar o seu coração fazia mal a digestão dessas coisas todas.
Foi aí que começou a escrever.
E a partir desse dia ficou, de facto, com o andar mais alinhado.

the wait

  

fot. Erwin Olaf

gosto. gosto muito.
de ouvir o silêncio das mulheres que esperam qualquer coisa.

19/01/11

5 anos de blog

5 anos de “photomaton”
na verdade pouca coisa muda, neste blog, a não ser a aparência…
neste meu “diário” impera a emoção: assídua e honesta
que me persegue desde o berço
 que comigo cresceu pela vida
e felizmente me ameaça em forma de palavras,
e com vocês partilho, ora velada, ora escancaradamente
numa ligação que para mim é estranha, por ser virtual,
mas que não é menos importante por causa disso.
obrigada a todos os que me seguem e que acabaram por ir ficando.
prometo, pelo menos, mais 5
e agora aqui, no calor da minha casa,
acendo 5 velas pequenas
que arderão durante o serão
para assinalar esta efeméride
que me torna, tão sempre, comovida e pequena
e com farta vontade de receber
“parabéns”.

17/01/11

Yulia Yakushova


Originally born in 1985 in Moscow, Russia.

14/01/11

chapéus há muitos.
cabeça, às vezes, é que não.
Acordar com a cabeça arrumada.
É das melhores coisas que há.
Ainda por cima sabendo que fomos nós que fizemos o trabalho todo.
Trabalho árduo e minucioso.
Comparo-o a andar a apanhar, pelo chão, pedrinhas minúsculas de um colar que tanto amamos e que se rompeu, sabendo de antemão que só poderemos voltar a usar esse colar se encontrarmos todas as pedras.
Já encontrei grande parte das pedras desse meu colar
Tenho andado pelo chão, vergada, de cócoras,
procurando em tudo que é esconderijo e esquina.
À cata das pedrinhas que muitas vezes escondem-se e camuflam-se, riem-se de mim e pisgam-se,
marotas e certeiras.
Gosto desse jogo. Eu no encalço delas. Elas a esgueirarem-se de mim.
Sei que quando as encontrar vou ser das mulheres mais felizes do mundo.
Mas vou ter muitas saudades deste jogo das escondidas,
em que somos tão verdadeiras e miúdas.
Porque nesse dia eu saberei que cresci.

12/01/11

a rapariga que gostava de marcar paredes

diz-se que a rapariga andaou a vadiar uns dias
avariada da cabeça
quem a viu pensou que era doida varrida
por andar assim pela cidade a desenhar com giz nas paredes
a figura de alguém
até porque depois enconstava-se à parede
e dava a mão à figura
e punha-se a conversar com ela.
diz-se que tiveram conversas inteligentes e importantes.
ela e a figura.
e que foram felizes aos bocadinhos
de vez em quando
mas para sempre.

11/01/11

pff

chôcha. irritada. descontente.
eu não queria, já que o ano começou há tão pouco tempo.
mas só queria pedir-vos que não se vão embora porque hei-de voltar melhor.
a mariana marques vidal da star fm enerva-me ao ponto de ter que mudar de estação.
tudo me irrita.
até um arroz seco que devia ter ficado malandro.
só me apetece dormir e comer.
volto daqui a uns dias, bem dispostinha e cor-de-rosa. como o habitual.
até lá ando no blog do meu alter ego a dizer mal do mundo.

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