28/02/11

gabi campanario



estou mergulhada no aroma "paris chic" que comprei para a minha
lampe berger. 
e só me dá vontade de correr muito para casa
para acender a minha lamparina
e mergulhar no livro que ando a ler.
o melhor amigo do homem é o gato.

25/02/11

vou escrever uma carta ao céu
para que a Primavera venha depressa.

 
phot. by stephen eichhorn
decididamente, fevereiro e março é mês de gatos...

ainda bem que há gostos para tudo.

24/02/11

Tadahiro Uesugi



apeteceu-me entrar dentro destas imagens
e por lá ficar.

as minhas miúdas

 
 
phot. ola dios

o meu fascínio pelos gatos começa na independência
e no amor incondicional que estes animais nutrem pelo dono.
com as minhas gatas, ou miúdas, como lhes chamo, faço de tudo.
uma delas gosta de se sentar na beirinha do sofá enquanto me pinto.
a outra tem manias e hábitos enraizados.
uma gosta de festas na barriga.
a outra desafia-me para brincar às escondidas.
uma é doce. a outra é deprimida.
mas são as minhas miúdas, como lhes chamo.
e enquanto as minhas colegas me mostram, orgulhosas, fotografias dos filhos,
eu mostro, mais que babada, fotografias das minhas gatas.

sublinhar

Nunca tive o hábito de sublinhar livros.
Aprendi-o com alguém que os lê e descobre com  lápis na mão.
Ultimamente gosto de o fazer.
Talvez porque neles queira deixar uma qualquer marca, amistosa,
para assinalar que, a partir daquele momento, farão parte da minha vida
ou muito simplesmente para que as palavras que neles deixo
possam namorar com as palavras inscritas.

23/02/11

miau

 
 
by ma + chr

ai eu gostava de ser gato
gato com olhos de gente
com pêlo comprido como o meu cabelo
mas com unhas afiadas
para me zangar quando fosse preciso
para dormir sestas infindáveis ao sol
para não ter que pagar condomínio
e para ronronar aos pés da minha dona
dedicando-lhe um amor incondicional. 

phot. lori vrba  /  rosie hardy

Quedou-se naquela rapariga que, pensou, precisava de voar.

E pensou que talvez pudesse transmitir-lhe asas pelo calor do seu corpo frágil sobre o corpo frio dela.
E o curioso é que não se enganou.
Dias depois a borboleta voou.
E a rapariga também.

19/02/11

bobi + bobi


 
phot. Jasper James

Desde pequena, e sempre que me sentia só,
gostava de ficar a olhar pela janela, para as janelas das casas e dos prédios
e imaginar o quente da vida naquelas casas, o cheiro a sopa quente,
os murmúrios ou as gargalhadas, as correrias
ou tão-somente o silêncio que eu acreditava ser menos solitário que o meu.
Continuo a gostar de olhar para as janelas.
À procura dessa vida toda que se constrói entre quatro paredes e é tão privada.
E faço-o ainda hoje, não porque me sinta só.
Mas porque isso me faz sentir acompanhada.
 
phot. Annemarieke van Drimmelen & Anouk Griffioen

vou-me despindo de mim.
e nua, me descubro, reconheço e reencontro.

15/02/11

my funny valentine

 
 
phot. Yulia Gorodinski (Self-Portraits)


sim, escrevo com um dia de atraso. sei disso.
mas escrevo. isso é que importa.
dei voltas e mais voltas. à cabeça.
e decidi-me por isto. palavras.
são o que de melhor tenho. porque me saem da alma.
já experimentei desenhar. já experimentei roupa.
já experimentei música.
não, as palavras é que são.
as palavras vão certeiras e atingem.
marcam. depois de escritas é como se fossem uma tatuagem.
e a tatuagem que hoje te deixo
é a tatuagem que tenho em mim
a que tu pintaste a cor vermelha certo dia.
é uma tatuagem de amor, a minha tatuagem.
e serve, hoje, para te dizer que te amo.
é certo, à minha maneira,
mas que te amo.
um dia depois do dia dos namorados.
e todos os dias que ainda hão-de vir.

eu, laura, me confesso

que sou eu, que escrevo prosa, sem pontuação, com minúsculas,
por vezes rimo e às vezes não;
serei poeta?
E se não for, que serei então?
só sei que escrevo porque sim
e que o faço com o coração.
 phot. brooke shaden
às vezes dá-me o nervoso mais que miudinho e sai-me da garganta estreitinha, a chispar, uma voz gutural

e fico nervosa de cima a baixo
e urro e praguejo
e invento uma linguagem só minha onde crio os priores impropérios
e imagino-me a saltar em câmara lenta como no “matrix”
e a saírem-me dos olhos fagulhas de lume mauzinho
e dos pés lanças afiadas
e das mãos setas do Robim dos Bosques
e depois passa-me num instante
e depois fico-me a rir da figura que fiz.

avé maria cheia de palavras

porreta que há dias em que escrevo a metro, as palavras saem-me até quando espirro,
é uma confusão dentro da minha pessoa que até me sinto tombar para a frente,
é um fartote de palavras que me sinto enfartada,
e é nesses dias que gostava de ter a profissão da escrita e tornar-me numa escritora circunspecta e giraça cujos livros chegassem a todos e tocassem todos muito muito
e vejo-me muito direita a escrever, em papel cheiroso, vintage e colorido, em cima de uma secretária
perto de uma janela voltada para o mar, embalada pelas ondas das marés vivas
e por este impulso que me embriaga e me obriga a vomitar todos os dias as palavras que em mim crescem
e graças a Deus crescem porque eu não sei como crescem
mas ainda bem que um dia começaram a crescer.
Ámen.

08/02/11

jesse draxler

jesse draxler / sketch 

there is a light

 
phot. elkie vanstiphout

há determinados tipos de luz
que me fazem ficar sem palavras.
que me fazem ficar sem ar.
 phot. Elina Nilsson

se conseguisse arrancar do peito
o coração teimoso
e o pusesse a marinar em sais terapêuticos
talvez pudesse concertar o seu sibilo permanente
que acompanha em certos dias a paulatina canção
que brota em chuva do meu corpo
e que dos meus olhos faz verter água
só porque tarda em chegar a primavera.

07/02/11

Jean-Philippe Delhomme



 
às vezes apetece-me viver no campo.

Travelers Closet - Psychic Factory

sim, ok, a publicidade é para eles.
mas não me importava nada de ter uma malinha destas.

nocturnos

phot. gabriela herman

gosto de tudo que é nocturno e, especialmente,
do silêncio da luz
que me permite ouvir melhor do que nunca
a voz da minha escrita.

01/02/11

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