30/11/11

on stage, please...


“Faz por te sentires vivo!
Aproveita cada riso, cada choro, cada tiro.
Espreme a tua vida da esponja do tempo que a suga.
E bebe-a em largos tragos.
Aproveita o tempo, acorda, madruga.
Pois sem perceberes a vida foge-te entre os dedos,
O tempo passa e inevitavelmente faz estragos.”

de Rui Nobre Chaves.


24/11/11

a poesia nem sempre está só nas palavras.
a poesia, certas vezes, está nos olhos e nas mãos.

23/11/11

gosto da inevitabilidade de certos impossíveis.

colo

gosto de colo.
da mãe, das manas, dos amigos.
gosto do colo do amor.
do colo das minhas gatas. do colo das mulheres.
gosto de pedir colo e gosto que me ofereçam colo.
gosto de dar colo.



22/11/11

pensar. criar. produzir. conduzir.
passar a limpo. passar a ferro. passar à frente.
querer. poder. planear.
fumar. comer. beber.
ler. reler. decorar. sublinhar.
é tudo uma questão de verbos.
de conjugação. de tempo.
de eu, tu, nós e os outros.
mas o tempo que mais gosto é o presente.
e a pessoa do verbo és tu.
Ela via sempre o outro lado das coisas.


um dia destes pego-te na mão
e levo-te a conhecer
a cidade por onde me passeio enquanto durmo.

21/11/11

eu sou do tamanho da minha vontade
e sou da cor do que sinto.

17/11/11

15/11/11


Sometimes I feel like a caretaker of a museum - a huge empty museum
where no one ever comes, and I'm watching over it for no one but myself.
(Haruki Murakami)

excerto de "As troianas" de Eurípides
(Laura Ferreria / Joana Manarte)

O teatro corre-me nas veias com o sangue.

11/11/11

a mulher tempo e o homem erosão


phot. pedro tudela at http://instagrid.me/pedrotudela/

Encontraram-se anos depois. Já as faces eram pedra e o tempo erosão.
Mas os corações guardavam ainda partícula de tempos idos em que as raras palavras trocadas haviam escrito grandes livros.
Ela estava velha, desusada e meia desfeita. Mas guardava nos olhos um fio de juventude que lhe conferia ainda um pouco de luz.
Ele estava velho, desusado e meio desfeito. Mas guardava nos olhos um fio de juventude que lhe conferia ainda um pouco de luz.
Então ela desferiu, sem medo, porque há uma idade em que as pessoas deixam de temer seja aquilo que for:
- Então, vamos sair?
E ele anuiu, porque há uma idade em que as respostas, para certas coisas, deixam de ser não.
E foram juntos assistir a um bailado porque os seus corpos já não podiam bailar.
Mas tudo neles bailou principalmente as palavras e as mãos.
E finalmente decidiram ficar juntos, porque há uma idade em que o tempo escasseia e os medos passam a ser uma certeza.

(para a minha mana.)
phot. Dmitry G. Pavlov

 “(…) Quando qualquer homem encontra a sua metade é possuído por transportes de ternura, de simpatia e de amor. Não quer separar-se mais, nem que seja por um instante! Eis as pessoas que passam uma vida inteira juntas, sem poderem dizer o que esperam uma da outra, pois não me parece que seja o prazer dos sentidos que os faz encontrar tanto prazer na companhia um do outro!”

(Platão)


phot. richard-burbidge

hoje sinto-me selvagem.

10/11/11

gosto de ir direita às coisas e chamá-las pelo nome.

09/11/11

as coisas que eu nunca conseguiria deixar de fazer

deixar de ouvir este disco...

arrepiar-me com a estrofe "after school is over..." do "school"
bater o pé com o ""Bloody Well Right"
aumentar o volume no "Asylum"
dançar o "Dreamer"
conseguir visualizar o "Rudy"
ver-me no palco do "If Everyone Was Listening"
fechar os olhos enquanto ouço o "Crime of the Century"
e
constatar que o "Hide in Your Shell" é a música da minha vida

oração

hoje vou pedir forte, bem forte,
ao deus das palavras
para que elas nunca fujam de mim.

pequenos pontos de luz

gosto de candeeiros. muito.
gosto de candeeiros pequenos, grandes, de papel, de vidro, de acrílico, de arame.
gosto de pequenos pontos de luz espalhados pela casa
que me fazem parecer que a minha casa é um grande palco.

08/11/11

hmmm. não é bem assim. é assim ou assado ou frito ou cozido.
está torto, está mal, está mau, está lento, está rápido, está murcho, está roto
está partido, está fraco, está rente, está baixo, está frio, está feio.

que tal parar e fazer com que fique diferente?
o cinzento de certos dias começa a ter alguma cor.

Bloom Chair

03/11/11

quando for crescida quero fazer-me magia

quando for crescida quero fazer-me magia.
para aparecer quando me apetecer
no meio de uma cidade, à noitinha,
ou sentadinha num teatro da Broadway
ou em pé, calçadinha de Louboutin, a tomar um copo no "The Peninsula" em Hong Kong
ou a apanhar chuva em Times Square
ou a banhar-me nas Maldivas em água morna. 
quando for crescida quero fazer-me magia
e continuar a ter assim estes dias mornos
em que a imaginação é maior que o meu metro e setenta.
 
De vez em quando é preciso parar para pensar.

Arquivo