era pequena em tudo, nas medidas do corpo, na boca, no cabelo.
principalmente nas palavras.
também comia pouco, aos bocadinhos em garfadas tímidas.
andava num carro pequenino, numa condução miúda e prudente
e lia pequenos contos sobre as pessoas normais.
um dia encontrou um homenzarrão
alto e grande e forte e muito
mas mesmo muito maior que ela.
e isso fê-la pensar que o tamanho das coisas pode ser somente um ponto de vista
e o homem que era farto nas palavras
generoso em tudo o resto
ensinou-lhe uma medida acima
(uma medida para todas as coisas em que ela se achava demasiado pequena)
e juntos – a rapariga pequena e o homem grande –
construíram uma espécie de física, matemática, geografia, linguística,
onde partilharam verbos, voz,
vento,
e vida.






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