24/04/12

Ele e Ela (ou o amor no Facebook)


Conheceram-se num grupo de música do facebook.
Ela de óculos redondos de tartaruga, cabelo ruivo pelos ombros, magrinha e elétrica, de unhas pequenas da cor do cabelo.
Ele de lentes de contato descartáveis, cabelo ralo nas têmporas e quase inexistente no resto, gordinho e sereno, de calça de fazenda e casaco de cotoveleiras.
Conheceram-se numa tarde de domingo soalheira, com o ar quente de Março a desafiar a roupa de verão, entre dois posts musicais – Roberto Carlos e Marylin Manson.
Ela postou o Roberto.
Ele postou Marylin.
Ela comentou - que violência.
Ele comentou - que doçura.
Ela comentou - .
Ele comentou - :-D
Ela ficou atenta aos posts dele.
Ele ficou atento aos posts dela.
Foram pondo “likes” e reticências e a bonecada habitual nestas coisas das lides virtuais.
Um dia ele deu-lhe um toque. Ela pôs-se offline.
Um dia ela deu-lhe um toque. Ele meteu conversa pelo chat.
Ele escreveu – gosto da música que escolhe.
Ela respondeu – não gosto nada da música que escolhe.
Ele escreveu - :-D
Ela escreveu – Fui.
Foram-se encontrando entre clássicos, slows e músicas comerciais.
Ele anotava num papelinho os gostos dela.
Ela anotava num papelinho os gostos dele.
De vez em quando falavam-se no chat.
Ele escrevia gradualmente entre o trivial e o filosófico disfarçado de brincadeira.
Ela escrevia o evasivo e o inconcludente.
Ele era persistente. Ela era insegura.
Ele era cerebral. Ela era romântica.
Um dia combinaram um encontro numa pastelaria às 16h.
Ele tomou uma cerveja.
Ela tomou um chá.
Conversaram, olhos nos olhos, corados e adolescentes.
Despediram-se com um aperto de mão.
Mas apaixonaram-se para sempre.



2 comentários:

Miss Kinky disse...

:) que doçura!
os opostos atraem-se...

Anónimo disse...
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