31/07/12

domingo na praia

Domingo fui à praia de Matosinhos fazer praia.

Se nas outras praias consigo dormir quando fecho os olhos, aqui no Norte a quantidade de estímulos que me chegam aos ouvidos é demasiada para me deixar relaxar.
Começa logo pelos nomes que se ouvem.
Uma profusão de Vânias, Tânias, Fábios, Afonsos, todos eles ditos com um sotaque que os faz parecer diferentes entre eles.
Depois os guarda-sóis-tendas, guarda-sóis-barracas, tapa-vento-tenda, tapa-vento-e-tapa-tudo-e-mais-alguma-coisa, tenda pequena com minissaia. Esta disparidade de tecidos, tamanhos e arquitetura, faz-nos parecer que estamos na zona das tendas, da feira de Espinho ou no Souk de Marraquexe.
Depois as famelgas espalhadas pelas toalhas e não só. Os casalinhos casados há mais de 10 de perna entrelaçada, os casalinhos casados há menos de 10 com ele a por a mão no rabo dela, os casalinhos acabados de casar de mãozinha dada enquanto esturricam e ficam cor-de-rosa. E os casalinhos há mais de 20 com tendência para a discussão, separados pelo menos 2 metros: ele de óculos escuros a fazer que dorme e olhar para os nadegueiros das banhistas e elas sentadas de perna aberta a ler a Maria.
Depois,
os surfistas a entrar na água ante os olhos desvairados das meninas;
os solitários solteirões que arrancam uma nesguinha de espaço entre as rochas e ouvem rádios de pilhas colados aos ouvidos e fumam cigarros até às priscas, nos seus calções-cueca-justos-de-gola-alta;
as mulheres maduras que fazem praia sozinhas só pelo simples fato de quererem ficar morenas e chegam e estendem o pano indiano, untam-se como se fossem para o forno, colocam auscultadores nos ouvidos, protegem os olhos e deitam-se, importantes e cheias de tralha nas carteiras XXXXL, nos seus bikinis-um-pouco-pequenos-demais-para-a-idade;
os adolescentes acabadinhos de começar a namorar com as respetivas línguas num corrilório absurdo;
as mães e os filhos pequenos, ambos de chapelinho, ambos brancos como a cal, ambos com ar de quem ainda não fez a digestão, ambos com vontade de zarpar dali para fora, ambos de fato-de-banho-de-vários-números-acima, ambos com ar de quem come iogurtes e ambos com ar de quem gosta de ver o “A tua cara não me é estranha”.
E eu.
Numa nesguinha de espaço, de olhos bem abertos e de ouvidos bem atentos, a sorver, a filmar, a gravar.
Material para as minhas histórias:
Pessoas.

1 comentário:

Luis Eme disse...

grande filme!

:))

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