16/10/12

pinturas com as mãos e os pés

Em criança, eu imitava tudo o que mexia.

Era normal, imitar o que mexia. Mas também imitava o que não mexia. E isso não era muito normal.
A coisa mais estupida que imitei, em criança, foram os pintores deficientes que usavam o pé e a mão para habilmente manipular o pincel.
A minha mãe recebia aqueles conjuntinhos de postais em que vinham fotografias dos artistas e eu meti na cabeça que, se segurasse o pincel com a mão ou o pé, seria capaz de criar aquelas belíssimas telas com as naturezas mortas e a fruta com um ar super comestível.
Experimentei inúmeras vezes. Primeiro com o pé. Desisti quase imediatamente porque segurar o pincel nos dedos dos pés provocava-me brecas terríveis.
Passei para a boca. Além de me babar furiosamente não consegui a fazer um centímetro que fosse, de uma linha reta.
A minha crença nesta teoria, em particular, morreu no dia em que descobri as obras de Picasso, Matisse (e outros tantos) e quando me disseram que as respetivas obras tinham sido feitas com as mãos.
Aí, uma esperança renovada, veio acalentar o meu sonho de me tornar artista plástica.

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