31/01/12

janeiro é mês de beldades, no feminino (25)

cate blanchett by Craig McDean

30/01/12

dança comigo

dança comigo na baixa, no passeio alegre,
no parque da cidade, no cinema,
na farmácia, no clube de vídeo.

dança comigo alegre ou triste, apressado,
de robe ou de fato, mas dança comigo.
aperta-me nos teus braços em paris, em veneza,
na califórnia, no brasil, em espanha,
em tóquio, no supermercado, na fila da vci,
num quarto de hotel, numa paragem de autocarro, num elevador,
em minha casa ou em tua casa. e depois aperta-me mais ainda, por breves instantes.
então, poderás parar.
porque haveremos dançado o tempo suficiente
para o teu corpo ter aprendido o respirar do meu.

janeiro é mês de beldades, no feminino (24)

angelina jolie by mario testino

3 de fevereiro há café teatro


"RETALHOS…"


Como quase todas as histórias esta começou carregada de “TENTAÇÕES…”, e desta vez sem maçãs! Os medos e olhares vibrantes empurraram-nos para outra tentativa, por isso vieram de todos os sítios e vidas apenas e só para oferecerem “SENSAÇÕES…” artísticas! Quando ...se aperceberam que as linhas que os cosiam iam ficar indubitavelmente presas entre si mesmos/as afirmaram em uníssono: - “SIM! PORQUE NÃO?”. Talvez porque à sua maneira já não soubessem fazer coisas que os/as não desafiassem…e “D’ESTILO” percebiam todos/as um pouco, nem que fosse aquele estilo que aquece no anonimato as “MEMÓRIAS DO MUNDO…”. Para eles/as há uma garantia: O “LIXO E LUXO” podem viver juntos, porque respeitam-se separadamente!


E foi assim, para que vivessem felizes para sempre convosco, que decidiram organizar o 7º café teatro no dia 3 de Fevereiro, no lar doce lar do Centro Cultural de Campo. Onde qualquer um/a de vós se poderá sentar no colo do ENTREtanto TEATRO por mais uma inesquecível noite, aquecendo-se com a manta que construímos para vocês. Tragam os vossos retalhos, tragam a vossa história e depois já sabem…É só sorrir…abraçar…beijar…rir e partilhar!
(by Inês Ferreira)



COORDENAÇÃO de Laura Ferreira

ALUNOS EM CENA Anabela Melo, André Pinto, António Cabral, Beto Meira, Catarina Pinto, Catarina Vaz, Etelvina Baltazar, Inês Ferreira, Laura Ferreira, Mariana Santos, Miguel Moreira, Nanci Sousa, Paulo Kanuko, Rosário Nascimento, Sofia Príncipe, Tânia Seixas e Valdemar Baltazar.

DESENHO DE LUZ Luís Ribeiro
DESIGN Beto Meira
PRODUÇÃO EXECUTIVA Amélia Carrapito
APOIO À PRODUÇÃO Isabel Ferreira
DURAÇÃO 90 minutos (é permitida a entrada durante a apresentação)
ENTRADA 2€ (uma bebida incluída)
INFORMAÇÕES E RESERVAS 224211565
964751300

ESPETÁCULO PARA MAIORES DE 16 ANOS
ORGANIZAÇÃO Câmara Municipal de Valongo e ENTREtanto TEATRO

RETALHOS… é o resultado de numa nova composição de alguns dos mini-projetos criados no âmbito da Ação de Formação em Teatro Espetáculos_2011, que foram trabalhados pelos seus criadores e que serão apresentados no Centro Cultural de Campo, dia 3 de Fevereiro às 22h30, no formato do costume.

Lembramos que em 2011, no âmbito da Ação de Formação de aperfeiçoamento e experimentação das técnicas teatrais foram desenvolvidos e apresentados ao público mini-projectos/criações que abarcaram os diferentes contextos da interpretação e produção de um espetáculo: “Tentações…” a 3 de Junho, “Sensações…” a 17 de Junho, “Sim! Porque Não?” a 1 de Julho, “D’Estilo” a 8 de Julho, “Memórias do Mundo…” a 29 de Julho, e agora “Lixo e Luxo” a 30 de Setembro.

Em breve abriremos inscrições para a Ação de Formação em Teatro 2012, estejam atentos ao vosso e-mail e ao site e facebook do ENTREtanto TEATRO e da Câmara Municipal de Valongo.

ENTREtanto TEATRO – Associação Cultural
Centro Cultural de Campo
Travessa de S. Domingos
4440-191 Campo – Valongo

Tel./Fax: +351 224211565
+351 96 4751300
www.entretantoteatro.pt




29/01/12

meet you at nyc

"...e teve vontade de lhe dizer que gostava de acreditar que a estrada que ele havia seguido até ali tinha sido só uma de ficar mais perto da dela; mesmo que a não tivesse cruzado quando a cruzou não haveria problema porque sim, mais cedo ou mais tarde tirariam a mesma fotografia, olhariam, em dias diferentes, para o mesmo quadro numa exposição, ouviriam a mesma música a km de distância, veriam um filme diferente em diferentes sítios do mundo e saberiam ambos, da existência um do outro porque há coisas que simplesmente têm que acontecer."

janeiro é mês de beldades, no feminino (22)

faye dunaway

28/01/12

27/01/12

guy aroch



(um dos meus favoritos)
guarda no peito
só aquilo que vale mesmo a pena.

"the only person standing in your way
is you."


a rapariga com mood de cinema





Acordou com mood de cinema:

olhos de “Bonjour Tristesse”
boca de “One from the heart”
cabelo de Rita Hayworth.

Vestiu um vestido de Ava Gardner
calçou uns sapatos de Lauren Bacall
vestiu um casaco branco e calçou luvas pretas de Kim Novak.

Olhou-se no espelho
e levantou a sobrancelha como a Scarlett O’Hara
e fez boquinha de Marylin Monroe.

Saiu para a rua com andar de Tippi Hedren: passinhos miúdos, pernas abraçadas em saia tão custa, sintonia perfeita entre a música dos joelhos e dos saltos altos.

Entrou num clube antigo com muito fumo e luz teatral.
Uma orquestra de músicos de camisa branca, cabelo lambido e mangas arregaçadas, tocava temas de Cole Porter.

Sentou-se a uma mesa, cruzou a perna direita e retocou o pó de arroz e o batôn com ar arrebatado de diva de film noir.
Na mesa pousaram-lhe um copo com Whisky e muito gelo.
Mãos enluvadas de homem riscaram um fosforo e acenderam-lhe um cigarro fino.
Humedeceu os lábios e sorveu o cigarro e expeliu o fumo, propositadamente, de encontro ao feixe de luz branca
para criar um efeito cinematográfico de filme a preto e branco.

A orquestra começou a tocar, arrastada e impecavelmente, o “The way you look tonight”.
Marcou o ritmo, subtilmente, com a biqueira do sapato elegante, sossegou o coração no peito e ficou ali, com ar de cinema, a apreciar a luz a escorrer entre o fumo e a pensar que dele, do fumo, ele apareceria:

de chapéu antigo, fato escuro, perfume maduro, cigarro ao canto da boca, voz grave.
Olhá-la-ia por uns segundos, com os olhos negros de desejo educado,
estender-lhe-ia a mão e arrastá-la-ia para a pequena pista de dança
e envolvê-la-ia num abraço de Rick Blaine.
enquanto lhe dizia ao ouvido,
por cima da musica,
num inglês perfeito


"Lovely, never, ever change.
Keep that breathless charm.
Won't you please arrange it ?
Cause I love you, just the way you look tonight."


janeiro é mês de beldades, no feminino (20)

 
 ava gardner

26/01/12

"O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos
 foi a dizer não quando é não."
(gabriel garcia marquez)

janeiro é mês de beldades, no feminino (19)


julia roberts by tom munro

25/01/12

músicas da minha vida


 "meet you at the moon"


 "As fotografias enganam o tempo suspendendo-o num pedaço de papel onde a alma não cabe."
Isabel Allende

janeiro é mês de beldades, no feminino (18)


veronica lake

prince charming


eram tempos de luz, de riso simples e descomprometido
de viagens ao passado e arremessos ao futuro
de coisas sem prazos e faturas com data de vencimento
de cabelos esquecidos nas almofadas
de adolescentes vestidos de adultos
eram tempos em que o tempo não se fazia de tempo
se misturavam páginas e se reescreviam diálogos 
eram tempos em que a história parava, recomeçava e se esquecia.
 um dia ficou suspensa
à espera das mãos de um sábio escritor
que a pudesse terminar
ou
à espera de umas mãos
que a pudessem voltar a arrumar.

24/01/12

para para pensar - ou o maravilhoso mundo do novo acordo ortográfico

Bem, fui fazer um curso relacionado com o Novo Acordo Ortográfico e acho que saí de lá sem saber escrever… ou pelo menos é essa a noção que tenho.
E a vontade que tenho também é de me agarrar às consoantes como se fossem bóias – perdão, BOIAS… salva vidas… ou é salva-vidas? Mas voltando às boias – haverá quem possa pensar que as boias são o feminino de bois? Bem, boias também não é uma palavras que eu escreva por aí além.
Estou a imaginar uma mulher a deixar escrito, ao respetivo namorado, um bilhete amoroso com florinhas e perfume:
“José querido, não me leves a mal, mas para para pensar em nós, por favor.”


E ele, distraído – é não por mal, ela já devia saber que ele É distraído – lê e comenta:
- Ela anda mesmo a ficar cansada… já repete palavras e tudo.

E depois escreve-lhe um bilhete a dizer:

“meu amor,
Não percebi nadinha do teu bilhete…
Para pensar em nós o quê? Não disseste!!!
Minha cabeça-de-alho-chocho linda. Adoro-te. Teu Zé."


Ela deixa-lhe outro bilhete quando volta do trabalho, sem perfume, sem florinhas a decorar a esquadria, em papel roubado a uma factura (perdão – FATURA) da ZON:
“Zé,
Cabeça de alho chocho escreve-se assim e não como escreveste.
Já agora, em vez de estares sempre a ler porcarias e a ver coisas que não interessam a ninguém, dá uma vista de olhos ao livro que tenho na mesinha de cabeceira “O novo acordo ortográfico”. Sabes como detesto erros de ortografia.
Depois falamos”.

Quando as mulheres dizem “depois falamos” está o caldo entornado. Vão buscar coisas ao arco-da-velha (atenção que este termo mantém “hífen”).
Preciso, pois, de re-estudar o que desaprendi para quem sabe escrever melhor.
Mas de certa forma também fiquei contente. Com as minúsculas.
Adoro minúsculas. E nas estações do ano, meses, pontos cardeais, colaterais e subcolaterais, bora lá usar minúsculas.
Mas seja, volto daqui a uns dias, quando tiver uma opinião mais vinculada sobre esta matéria.

Takahiro Kimura

phot. by daria gabrielli

por mais que gostemos de nós, enredos e conexões,
há linhas que mesmo sendo contíguas
e comungando da mesma volição,

nunca chegam a cruzar-se.



Nick Knight


janeiro é mês de beldades, no feminino (17)


Catherine Deneuve

appetite, prefab sprout


Depending on it’s appetite,
Depending on your appetite

So if you take - then put back good
If you steal - be robin hood
If your eyes are wanting all you see
Then I think I’ll name you after me
I think I’ll call you appetite

23/01/12

“que-merda-já-disse-que-não-quero-estou-cheia-disto”.

phot. by Tono Stano

não fora há muito que ela começara a pensar em algo que muito a fazia pensar ultimamente
e que era
mais ou menos palavra, mais ou menos asneira:
“que-merda-já-disse-que-não-quero-estou-cheia-disto”.
fora, há exatamente, cinco minutos, que pensara nisto pela primeira vez.

phot. by sergei bizjaev

não obstante ser uma rapariga com gostos extremamente peculiares
ultimamente decidia-se por adotar, na sua vida,
as posições mais difíceis.




janeiro é mês de beldades, no feminino (16)

EvaMendes by Mert & Marcus

"É muito grande, Nova Iorque. Por todo o lado há edifícios altos como casas sobre casas. É uma cidade excessiva e áspera, onde se encontram mais ângulos rectos do que em qualquer outro lugar. É também cheia de brilho e de ruído, de máquinas e corpos e milhões de verbos conjugados no presente. Uma cidade de aldeias empilhadas trazidas de longe, da Europa, de África, da Ásia, homens pobres e desesperados que dão a vida por pouco, que gastam os corpos pelas esquinas afiadas da cidade e à noite se deitam nas suas entranhas.
Quem acorda na cidade desculpa-se por ter dormido. Lá fora há já multidões que correm atrás de uma coisa qualquer que lhes diga que existem. O direito ao nome ganha-se a cada dia e não é certo, nada é certo nesta cidade. O tempo, o pouco tempo de alguns, é o avanço de quem chegou primeiro e não chega para terminar um cigarro."

in No meu peito não cabem pássaros, romance de estreia de Nuno Camarneiro



20/01/12

blá blá blá


Gosto estupidamente de conversar. Seja daquilo que for. Seja com quem for.
Se calhar é por isso que converso com a menina Piedade da Portagem de Águas Santas, com a minha Raquel esteticista e com a minha Aurora empregada.
Tirando isso também converso com a pessoa do lado se viajar de comboio, camionete ou avião.
Com a menina da sapataria e com a funcionária bem maquilhada da Sephora e com a gerente da Guess e com a menina da secção do peixe do Pingo Doce.
Com adolescentes que andam de skate e com poetas desconhecidos.
Adoro pensar que vou conversar com alguém sem saber o que de facto vou conversar.
Gosto é de pensar que vou.
E depois quando converso é o diabo para parar.
Gosto de conversar olhos nos olhos, ao telefone, bêbada de sono, metida no mar do Algarve com água pela cinta.
Gosto de conversar em grupo ou a dois.
Gosto de conversar com as minhas gatas com voz fininha.
Gosto de conversar com a doçura da minha mãe.
Gosto de conversar com as palermices das minhas irmãs.
E gosto de conversar, em jeito de confissão com as amigas.
Não gosto muito de falar com padres. Nem com arrumadores. Nem com empregados de café armados ao pingarelho.
Gosto mais ou menos com taxistas e com freiras.
Gosto de falar com a imagem da Nossa Senhora de Fátima que me acompanha de casa para casa e trato-a por tu e por “Fatinha”.
Gosto de conversar com os tachos e o Gel de Banho.
Não gosto mesmo nadinha de conversar com pessoas que não sabem conversar.
Gosto de conversar com as meninas da caixa do supermercado e com as meninas dos cabeleireiros, que têm um dialeto próprio e raramente usam os “bês”.
Gosto muitíssimo de conversar com mulheres e homens interessantes e adaptar o discurso ao curso da temática conversa.
Gosto de conversar com animais.
Não gosto de conversar no cinema mas adoro conversar na missa.
Gosto de conversar em cozinhas e em aulas de ginástica.
Não gosto nada de conversar em funerais e concertos de música clássica.
Não gosto muito de conversar quando estou amuada.
Gosto muito de conversar com o meu tapete de arraiolos que tem um galo de Barcelos.
Mas o que eu gosto mesmo mais é de conversar com as palavras.



janeiro é mês de beldades, no feminino (15)

Maryna Linchuk by Phil Poynter

o que as mulheres querem do amor


As mulheres não querem um amor demasiado inteligente.

Um amor i-pad, geração 4g, estacionamento automático, escrita inteligente.

As mulheres não querem um amor lifestyle, cool, trendy, fashion.

As mulheres não querem um amor mestrado ou doutorado.

As mulheres não querem um amor demasiado sofisticado, com guardanapos de pano a toda a hora, perninha sempre cruzada, eructações interditas, bocejos à socapa, gargalhadas ruidosas furtivas.

As mulheres não precisam de um amor que lê mas não cria, aprende mas não recria, cultiva mas não empreende.

As mulheres querem é… um amor normalzinho.

Um amor que nasça ingénuo e faça os caminhos da experimentação.

Um amor sempre inacabado com o seu quê de impossibilidade.

Um amor às vezes infantil com medo, paixão, tolices e erros.

Um amor que começa na escola primária e que pode ir por diante,

que aprenda a ler, contar, dividir, somar e multiplicar

que use frações, régua, compasso e papel em branco

um amor que use muita borracha e que faça cópias

um amor com composições, desenhos e versos

um amor cheio de verbos e pronomes

interjeições e gramática.

Um amor à luz de velas com abraços palavras e familiaridade.

Um amor-montanha com subidas íngremes e descidas vertiginosas.

Um amor-criança, por vezes, e um amor-mulher.

Um amor retórico, desenhado e prático.

Um amor de meias grossas quentes e pijama velhote.

Um amor em que caiba tudo:

carteiras da Parfois e carteiras da Bimba & Lola;

comidinha gourmet e cozido à Portuguesa;

collants grossos e meias La Perla;

debates importantes e séries para arrancar lágrimas;

conversas importantes e instantes de puro delírio.

as mulheres querem

um amor sem maquilhagem e a acabar de acordar.

Um amor à chuva e a andar a pé.

Um amor com Huggs e um amor de saltos altos.

Um amor que se baseie no eu, tu e nós.

Um amor com fotografias em papel, cartas no correio e flores roubadas.

Com rugas, cabelos brancos e móveis antigos.

Um amor com terra batida, sacos cama e botijas de água quente.

Um amor com rebuçados para a garganta, sopinha de feijão e couve lombarda e conversas para a lua.

Um amor de olhos abraçados.

Um amor cadente, com estreias, aplausos e improvisos

As mulheres, na verdade, não querem muito…

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