23/01/13

a vida de Pi

Guardo, impressas na retina, certas imagens da minha vida. As mais importantes.

Guardo-as e guardá-las-ei até ao ultimo sopro; faço, aliás, tenções, se me deixarem, de as revisitar, uma a uma, enquanto me chamam lá para onde tiver de ir, muitíssimo contrariada.

É cada vez mais raro haver imagens que me deslumbrem e me entonteçam. Por vários motivos: por tanto que os meus olhos veem, por tanto que o meu coração sente, pelos constantes estímulos com que sou bombardeada, em forma de tanta coisa.

Quando isso acontece sinto-me abençoada graças ao que sinto, física e psicologicamente; é algo parecido com uma tempestade tropical, só que interna; cá dentro do meu corpo acontece uma coisa avassaladora que vai aumentando, aumentando, até me consumir como se me matasse; ressuscito, depois, inerte mas satisfeita e... diferente.
Ontem aconteceu-me isso. Com uma imagem do filme “A vida de Pi”.
Além de ter adorado o filme (estava em dia de ter o meu espirito-perfeitamente-preparado-para-coisas-belas), a fotografia e a música, o meu coração quase parou na imagem em que o pequeno Pi flutua na água límpida da piscina que lhe deu o nome, a Piscine Molitor Patel.

O filme podia ter parado ali.
O tempo podia ter parado ali.
Eu própria podia lá ter ficado.
E se lá tivesse ficado mil histórias me teriam saído dos olhos em forma de água.

Esta imagem, guardo-a perto de meia dúzia de outras que me fazem andar à procura das palavras certas para descrever o que sinto quando isto me acontece.

Esta vai direitinha para perto de uma muito especial: a primeira vez que vi manhattan, num taxi, a ouvir frank sinatra.

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