31/01/13

primavera

"bonjour t."

olhou-se no espelho e pensou eu até nem sou nada de se deitar fora embora tenha de momento duas odiosas borbulhas junto ao nariz, à aba direita do nariz, e porque são junto à abra talvez até consigam passar despercebidas, mas merda, as borbulhas arruínam qualquer rosto e remetem ,à crua realidade, qualquer mulher, e mesmo vestindo um vestido giro e calçando uns sapatos giros elas estarão ali sempre para me lembrar que eu sim, sou real, tenho borbulhas quando sofro, cai-me cabelo quando me angustio.
olhou-se no espelho e pensou hoje estou triste, apetecia-me umas horas de vida parecidas com cinema, apetecia-me um gelado em Paris perto do carrossel ou uma sessão de spa num hotel perdido nas montanhas e isto nem é pedir muito até podia pedir mais.
olhou-se no espelho e viu duas grossas lágrimas traçarem a ferro e fogo o caminho do rosto, serpenteando as borbulhas e indo mergulhar na boca, enchendo-a de sal e pensou pelo menos tenho lágrimas e o cinema também tem lágrimas e, enquanto isso no radio tocava uma melodia antiga que ainda a fez chorar mais.
e mais não disse e mais não pensou mas chorou, sim, chorou que se matou, em silêncio, sem espasmos, sem dar trabalho a ninguém. enquanto durou a musica.



1 comentário:

Arquivo