11/02/13

Às vezes imagino que te encontro daqui a vinte anos.

Às vezes imagino que te encontro daqui a vinte anos.
Como será se eu te encontrar daqui a vinte anos?
Terás ainda mais cabelos brancos, que cresceram sem os meus.
Terás ainda mais rugas debaixo dos olhos que se desenharam sozinhas.
Quando aquilo que eu queria é que as rugas dos meus olhos, por sintonia, desenhassem as rugas dos teus.
Terás olhos diferentes porque os olhos vão mudando com a quantidade de coisas que vemos.
E aquilo que eu queria era que os meus olhos tivessem a mesma camada de coisas novas dos teus olhos e que os nossos olhos ficassem nublados ao mesmo tempo e dessem as mãos para terem as mesmas cataratas e a mesma miopia.
Terás um corpo diferente porque um corpo absorve e incorpora vida e momentos e histórias e arte.
E aquilo que eu queria é que o meu corpo se vergasse de espanto como teu
e que envelhecesse e se degradasse ao mesmo ritmo e com o mesmo sabor.
Às vezes imagino que te encontro daqui a vinte anos.
E imagino que, quando nos encontrarmos, simplesmente dirás:
- Atrasaste-te um bocadinho.
Mesmo tendo sido vinte anos.

5 comentários:

Mar Arável disse...

Nunca é tarde
para ler um texto belo

O Fulano disse...

Olha que coisa bonita de se escrever...

© Piedade Araújo Sol disse...

vinte anos
e parece que foi ontem...

Luis Eme disse...

pois... o tempo não nos perdoa andarmos "perdidos" por aí. :)

Laura Ferreira disse...

Obrigada a todos :)


Fulano, olha que eu gosto muito de imagens com gatinhos fofinhos :)

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