12/03/13

para a minha mana Kiki que faz hoje 50

Ela é pequenina. Sempre foi. Quer dizer. Em bebé tinha bochechas que apetecia roubar. Trincar. Guardar para todo o sempre rente ao coração.

Mas sim. Tem algumas coisas pequeninas. A altura. Os olhos. O carro. Os sapatos.

Tem tanta coisa grande…

Como é que se escreve um texto, com nexo, para ti?

Lembras-te quando me tiraste sangue pela primeira vez? Fizeste uma borrada completa. O sangue saltava por todos os lados, esguichava da seringa….

Comigo é igual. As palavras saltam por todo o lado. Esguicham do coração.

Contigo é assim. É uma questão de coração.

Que te digo, Lulu? Kiki… Que te digo?
Acho que já te disse tudo. Todos os dias te digo.
Porque todos os dias tenho noção – e agradeço – ter-te comigo, entre nós. Ter o mesmo sangue a correr desvairado nas veias. Ter os mesmos caracóis. Ter a mesma música no coração.

Contigo é assim. É uma questão de música. No coração.

Todos os dias agradeço:
escrever palavras contigo: felicidade. Caminho. Família. Futuro. Amizade.

Lembras-te? Do postigo da casa das Antas? Da cor do entardecer através dele? Da torta de morangos no dia seguinte? Do relógio da copa que hoje mora em casa da Ró? Do barulho dos matrecos na Feira? Do cheiro da nossa mãe?
Das coisas pequeninas que a nossa mãe nos ensinou a amar?

Que te digo, Lulu? Kiki… Que te digo?
Que quero ficar sempre perto de ti. Sentir o cheiro da tua pele e conhecê-lo entre milhões de cheiros. De sentir o arrepio da familiaridade. De adivinhar sombras nos teus olhos e partilhar sorrisos.

Lembras-te? Da risota antes de adormecer, nas Antas, nas camas de princesas.
E das conversas tão pouco princesas….

Quero dar-te a mão e quero pedir-ta.
Quero ajudar-te a subir estádios e ajudar-te a recuar, por vezes.
Quero que faças o mesmo comigo.
E quero, quero muito:
Fazer trocadilhos, beber minis em Caminha,
ter a minha pele morena ao ritmo do moreno da tua
ver coisas, muitas coisas, o mundo tem tanto, e os nossos olhos conseguem arrebatar tanto…

Lembras-te? Já demos tantos abraços na vida. Tão diferentes. Um dia escrevo-te uma história sobre os nossos abraços.

E quero, quero muito:
Contar Natais, manifestações, bifes, copos
compras, exposições
decisões, partilhas,
lágrimas, risos.
Quero estar sempre lá. Como um lar.
Quero estar sempre rente. Como um sinal da pele.

Lembras-te? Da nortada em Espinho, das estrelas no Algarve, do cheiro do Rio, dos barulhos no Alentejo, da respiração pequenina do Xico, bebé, no berço?... Gosto de colecionar ruídos contigo. Ruídos de vida.
A música da nossa história.

Como é que se escreve um texto, com nexo, para ti?

Misturo tudo. Tenho o coração a mil, o amor a ferver, a inquietude dos momentos em que se dizem coisas importantes.

E quero, quero muito:
Que a tua vida tenha sempre tudo o que conquistaste, por ti:
Musica, sol, honestidade, persistência, coerência
e pessoas, muitas pessoas, por perto;
as que te amam e que te merecem .
E paz. Aquela paz que conseguiste e que tem a cor do entardecer de Caminha, no Verão,
aquela paz despenteada, como as tuas sobrancelhas,
aquela paz congruente como o piano sólido do “Hide in your Shell”…

Eu serei uma dessas pessoas, que te seguirá aqui e seja onde for.
Seguir-te-ei até se acabarem os tempos.
Reconheço o teu cheiro, lembras-te?
E não posso, como poderia, viver sem um braço…

1 comentário:

marisa disse...

lindo, belo, lindo,belo, lindo, belo, ... vindo do coração
marisa

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