06/03/13

Porque o amor é vermelho e arde.


E quando sou apanhada numa nota ou num acorde?

Numa palavra ou numa estrofe?
E sou levada?
E lá, para o sítio onde vou, encontro-me contigo.
E lá, nesse limbo, abraças-me e, de corpo colado ao meu, abandonas-te.
E lá, nesse abandono de tempo, pomos em dia conversas, riso, sono e músculos.
E lá, nesse querer ficar, voltamo-nos a despedir.
(A tua mão a desenhar o meu perfil e a minha mão a decorar as linhas do teu rosto.)
Sabendo que há sempre qualquer coisa que nos faz voltar.
Uma música, uma imagem em Roma, de Vespa, ou tão-somente o nome de um livro.
Porque o amor é vermelho e arde.

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