09/04/13

é assim, tenho o coração estendido dos pés à boca

e então eis que me escancaro a todo o momento
e para onde olho é tudo vítreo
e há bichos da seda e libélulas e coisas que caem do céu como nos filmes do ridley scott
e ouve-se o farfalhar das flores e o aprumo dos arbustos, ao sabor da cantiga do vento.
e para onde olho é tudo belíssimo
é tudo no superlativo sintético
e eu sou metáfora, vogal, letra direitinha
e choro novelos e rios de lágrimas brilhantes como pingentes
e rio risos felizes de lagos primaveris

e pergunto-me, depois, nos parcos momentos de lucidez:
para quê tudo isto?
para quem tudo isto?
porquê?

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