28/07/13

para A.

Esta é uma carta de amor.
Esta é a carta de amor que te escrevo hoje, a carta possível. Com as pausas que conheces. Com o baixar de armas, com os suspiros e o brilho dos olhos. Com as reticências e os avanços. Os recuos.
Os arrependimentos e as promessas que não se cumpriram.
Esta é uma carta pequena, escrita hoje. Podia escrevê-la daqui a dez, vinte anos.
Esta carta deixa-me, aqui, na minha zona de conforto, e lança-se na noite, ao teu encontro. Quem sabe um dia a lês. Quem sabe ficará perdida no meio destes milhares de posts.
Mas esta carta, embora não pareça, é uma carta de amor.
É uma carta de amor para ti. Para os teus olhos, as tuas pestanas, as tuas mãos cruzadas, o teu dedo médio que tem aquela coisa na pele. Esta carta é para o teu sono inquieto, para o teu cabelo branco nas têmporas. Para o teu riso sonolento e a postura que endireitas, todos os dias da tua vida. É para o teu cansaço, a tua mente brilhante, a tua vivacidade, o teu riso e para aquela coisa maravilhosa que fazes. Aquela. Tu sabes.
Esta carta é minha. De quem te conhece talvez como ninguém te venha a conhecer. Esta carta é dos meus risos, das minhas inseguranças. Do meu amadurecimento, da minha vida, da minha história. Esta carta é dos nossos mergulhos, das barbatanas de mãos dadas, do cordeiro de leite. Esta carta é dos livros que me mostraste e dos tantos sonhos em que me levaste. Esta carta é para te dizer que estou e estarei grata. Sempre. Em todos os dias da minha vida.
Esta carta é escrita sem cuidado, sem jeito, sem preocupações.
Sobretudo sem esperança.
Mas, esta carta, é escrita com o meu Amor.

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