29/07/13

teatro

O que é que eu gosto mesmo mesmo no teatro? É a permutabilidade do corpo, o engenho dos músculos, a linguagem desenhada da respiração. É a entrega mesmo quando o cansaço parece abafar o resto; é o descortinar de um som corporal que nunca tínhamos ouvido, é a lembrança que a memória das personagens vai deixando impressa em nós, a imensidão de vozes que temos cá dentro, os caminhares e os esgares, os tiques e a beleza silenciosa.

O que eu gosto mesmo mesmo no teatro é poder ser-nos em bocadinhos, lenta e intensamente; é sermo-nos com verdade e despudor. Sem ter que agradar. Sem medo que  julguem.

Porque no teatro somos aquilo que somos e tornamo-nos naquilo que nunca pensámos ser.



3 comentários:

Mar Arável disse...

Abre o pano
não existe pano
cai o pano
o tempo passa

Luis Eme disse...

não concordo com tudo, mas o teatro é muitas dessas coisas, Laura. :)

Laura Ferreira disse...

isto é só o "meu" teatro e a forma como o sinto, Luis.. :)

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