06/09/13

a mulher especial

tinha seios de primavera, cabelos de verão
hálito morno de sabor a terra;
andava com a delicadeza de uma aragem
e falava muito com as mãos
(como se as mãos dela fossem trigo a namorar com o vento);
tinham, os olhos dela, o brilho da água a pratear a água;
e a voz fazia lembrar, ora uma aurora, ora um poente.
talvez por estas coisas todas
- esta multiplicidade de coisas singulares e universais -
ela era de alguns (poucos)
era muito de si própria
e
ao mesmo tempo
não era
(porque não podia)
ser de ninguém.


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