04/10/13

as minhas filhas


Gostam de mim com sol ou chuva.
Quando estou com a neura ou com dores de barriga ou quando tenho uma borbulha feiosa na ponta do nariz.
Gostam de mim desgrenhada, suada, mal disposta, amuada.
Conhecem-me a voz que canta no chuveiro, os ris...
os idiotas, sozinhos…
Os passos cambaleantes da febre, o olhar cinza da nostalgia.
Partilham comigo a vida, a casa, a cama, o ócio, a alegria, a inspiração.
Sabem de cor cantos, ventos, riscos pretos dos olhos, verniz de verão.
Sabem do jazz, da escrita, dos filmes e assados de domingo.
Sabem do tapete de arraiolos, dos livros, das fotografias, dos cigarros na varanda, antes de dormir.
Sabem de cor – e amam incondicionalmente – a minha mão e os olhos-nos-olhos antes de dormir
Misturam o ron-ron com a minha respiração.
A maior parte das noites, adormecemos bêbadas de felizes.
Elas, porque me têm.
Eu, porque tenho as Minhas gatas.

2 comentários:

Mar Arável disse...

Parece-me um gato
é um gato
admito que seja um gato

Laura Ferreira disse...

é uma Senhora gata...

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