28/02/13

hoje vou nanar

hoje vou nanar com todas as personagens que já criei.

o engano

de philip roth.
estou a ler.
estou a adorar.

vivre sa vie

phot. by Mikael Vojnovic

Não sei se me perco no teu silêncio
Ou se me afogo no mar de palavras que continuo a guardar para ti.

Igor Vasiliadis

love

post-it pequeno em forma de canção

apetecia-me cantar-te esta música ao ouvido.

eu gostava de ir.

27/02/13

sleep

phot. by Ruth Bernhard
 
esta noite vou dormir com o cérebro cheio de coisa nenhuma.
 
 

gosto de nadas, nuvens e nús.

Gregor Miro, Etude de Nu, Années 1950 - 1960

duy quoc


26/02/13

a curta mais curta de sempre

phot.  Edouard de Paris

vou fazer, para ti,
a curta mais estupidamente curta de sempre.
com 4 planos apertados. com luz natural.
só com os meus cabelos.

diamonds are forever

não me corrija

phot. by Alexander Polyakov

Não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim.
E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

(clarice lispector)


o maior medo dela
era que o seu coração tivesse mudado de endereço
quando ele decidisse vir bater à sua porta.

25/02/13

coisas pequenitas

Gosto da palavra “pequenito”.
Gosto igualmente de coisas pequenitas.
Um berlinde, louça de brincar com bonecas, o Fiat 500, o Prince, a minha irmã Kiki e a minha gata Nina.

Alexander Polyakov

Alexander Polyakov

vou

phot. by Alexandre Bertin

Para onde vou? A resposta é: vou.

(clarice lispector)


ralph gibson

Kim & cats

Eliot Elisofon - Actress Kim Novak playing with some Siamese cats
who performed with her in Bell, Book and Candle, 1958

22/02/13

e sou e sou e sou

e sou uma miúda
e gosto de chiclets
e gosto de fazer bolas
e gosto de fazer o que me dá na real gana
e gosto de acreditar em coisas cor de rosa
e não sei se cor de rosa tem traços no meio
e não quero saber
e sou e sou e sou
isto tudo e tudo o resto também.

laura

Eu gosto de um mar violento: que chora, que canta e que uiva.

(luisa dacosta)

love me or leave


21/02/13

i loves you porgy

phot. by peter lindberg

miss

Às vezes dóis-me. Dóis-me tanto. Na pele. E debaixo dela.
E debaixo de qualquer bocado de tudo que não é pele
mas que é de mais profundo.
Nas células
e no sangue que vai aos cantos mais esconsos de mim.
A dor que me dói assim tem o nome de saudade.

Gjon Mili

Marilyn Monroe - Photographed by Bert Stern, 1962.

poema por olho

Vou oferecer-te dois poemas.
Um em cada olho.
Um que seja pequenino. Outro que seja extenso.
Um vermelho. Outro brilhante.
Um que pisque. Outro que morda.
Vou oferecer-te dois poemas.
Porque me apetece. E porque os sei escrever.

o teu dedo

felicidade é aquele bocadinho de pintura esquecido, no canto do olho,
à espera do teu dedo.
e do toque dele.

Uma música que me faz querer voltar aos palcos, tanto, tanto.


E deixar-me lá a namorar com a minha sombra.
E ficar-me lá a dizer texto para os projetores de recorte.
E abandonar-me ao pó à madeira do chão ao cheiro a figurinos.
E morrer-me aos bocadinhos em cada personagem.
E ressuscitar outra vez. E recomeçar tudo outra vez.
Porque o Teatro é morrer de cada vez que se acaba.
E nascer de cada vez que se começa.

I loves you Porgy, de Keith Jarrett.

20/02/13

diamods are forever

John Barry, Indecent Proposal Theme

romy and alan and so on and so on

Romy Schneider and Alain Delon

"there's a place for us.."

diálogos de fevereiro com a luz pequenina acesa

- Porque é que cruzas as mãos aí assim?
- Aí assim como?
- Aí assim em cima.
- Se quiseres posso cruzá-las cá em baixo. (risos)
- Lá estás tu… Estou a falar a sério.
- Mas eu também,.. Só não entendo porque é que perguntas isso…
- Gosto de saber coisas. Sobre ti.
- Mas o que é que ficas a saber, sobre mim, pela forma como eu cruzo as mãos?
- Tanta coisa. Eu cá sei.
- Podias perguntar-me tanta coisa.
(pausa).
- Dá-me um beijo.
- Agora não consigo.
- Amuaste?
- Não!
- Ficas linda quando amuas.
- Não amuei.
- Então dá-me um beijo.
- Então diz-me porque é que cruzas as mãos aí em cima.

Escondo-me atrás de coisas simples

Escondo-me atrás de coisas simples,
para que me encontres.
Se não me encontrares, encontrarás as coisas,
tocarás o que minha mão já tocou,
os traços juntar-se-ão de nossas mãos,
uma na outra.

yannis ritsos

by the way

casava-me com o teu perfil.
e seria fiel amante do teu cérebro até ao fim dos tempos.

take me to the end of love.

phot. by man ray

Uma música que me faz ficar com cara de Alice.

Dentes afastados.
Narizinho de personagem de Manga.
Pequenina e magérrima.
Cabelos lisos, negros, encaracolados.
Pés ligeiramente metidos para dentro.
Vestidinho de chita acima do joelho, que é das coisas mais lindas, o joelho.
Perfume de campo. Vento nas ideias. Olhos marotos.
Feitio levado do diabo. Língua afiada.
Mas com o cinema todos. do mundo, nas mãos.
“A menina e o piano”, Laginha e Sassetti.

concerto em nós menor

Harper’s Bazaar 1948, by Lillian Bassman

Quero fazer um concerto a quatro mãos.
Pelo teu corpo. E depois pelo meu.

Harper’s Bazaar, 1939

Photo by Erwin Blumenfeld

os enamoramentos

Ainda não tinha escrito sobre o livro “os enamoramentos” do Javier Marías.
É daqueles livros que apetece sublinhar e reler e reler e reler.
Uma música lenta, com vários corpos e vozes.
Vale muito a pena.
É belíssimo tratado sobre a vida e o amor.

cat lovers never goes to bed alone.

Our Cat Ulysses and Martine’s Shadow by Henri Cartier-Bresson

sintonia

Gregor Miro, Etude de Nu, Années 1950 - 1960
 
sintonia escreve-se com palavras
com olhos
e com mãos.
 

19/02/13

Duas das músicas que me ligam, automaticamente, o interruptor da escrita.

Esteja onde estiver.
“A fuoco”, Ludovico Einaudi e “The way you look tonight”, Frank Sinatra.
Por razões diferentes.
Mas a mesma quantidade absurda de justaposições, ideias e sentidos.
Assustador.

há coisas a que não podemos virar as costas.

George Platt Lynes - Female Nude, 1950

Un homme et une femme (1966, Claude Lelouch)

Anouk Aimée & Jean-Louis Trintignant 

e eu gosto estupidamente disso.

gosto estupidamente de tralha.
daquela que não serve para coisa nenhuma na maior parte dos dias.
mas depois há um dia em que serve. serve e muito.
gosto estupidamente de coisas que não servem para nada na maior parte dos dias.
mas depois há um dia em que servem. servem e muito.
e eu gosto estupidamente disso.

ideias que se somem

Tenho que começar a dormir com um caderno e uma caneta.
Há ideias que tenho quando estou prestes a adormecer e que depois se escapam.
Podiam ficar arrumadinhas nas estrelas do teto ou numa janelinha do vinil.
Mas não. Somem-se para parte incerta.
Não sei algum dia voltam.
Porque será que esta frase é recorrente, nos últimos tempos da minha vida?

tom waits & arrepios

Descobri que a música “somewhere” cantada pelo Tom Waits me arrepia até ao infinito.
Bom saber que ainda há coisas que me arrepiam.
Espero que assim seja até ser velhinha.

18/02/13

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