30/04/13

kum nye

mais ou menos assim:
desta cor
deste simples
deste pouco
deste muito
 
que tenho saído dos ensaios.


ai

tanta coisa tanta vida tantas palavras tantos livros tantos sítios tantos artigos tanta cor tanta tanta tanta
tanta coisa
tão pouco tempo.

oleg andrev


kim young hun


24/04/13

Zlatimir Arakliev & Milko Boyaro

Be Visible 

dança dos abraços

dança comigo um abraço apertado e direitinho
em bicos de pés e corpo colado
dança até que dure esta música que não ouço
esta música que forra as paredes dos meus ouvidos
e que se converte em sangue
para me percorrer o corpo.
danças?

tempo

tenho o meu tempo vertido em gotinhas
e partículas perdidas:
metidas à força
em sítios esquivos mas simpáticos.

finta-me o meu tempo em contratempo
foge-me e fere-me de longe
com uma seta certeira e matreira.

quero arrebatar o meu tempo
guardá-lo e poupá-lo
para que o possa, certas vezes, estender
como massa de pão;
e com ele fazer bolinhos.

tenho o meu tempo deitado numa cama de dossel branco
uma cama repousada de branco algodão indiano.
namoro com o meu tempo
um caso dúbio, arredio,
ardiloso e fugidio.

23/04/13

Oeuvres a l’oeuvre, david lachapelle

A casa das palavras

Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas.
As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se
ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem.
Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...

O Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

A Literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.
(fp)

dia do livro

sleep tight


22/04/13

lauras e marisas e marisas e laudas

sim laura não laura talvez laura
sempre laura nunca laura
veste laura faz laura traz laura
usa laura come laura
troca laura descobre laura
pois laura que merda laura
ai é laura
oh laura
não sabia laura
arre laura
xiça laura
ri-te laura
chora laura
vive laura
ouviste laura
 
ouviste laura?
 
laura?
 
estás aí?
 
Não.
Já não estou.
 
 
Laura

'Face to Face' by Niko Guido

talvez seja isso

talvez seja.
ter a primavera no rosto e no corpo
todos os dias do ano.
talvez seja isso que falte.
talvez seja isso que valha a pena trabalhar
a partir de agora.
talvez seja isso.

vou onde me leva a imaginação

19/04/13

ups

eu gostava de ser feita de lápis.
para me apagar de vez em quando.

paul newman & joanne woodward, Cannes poster

primavera

dia de ensaio. dia de aula. dia de baixa.
dia de sair. dia de dormir.
dia meu.

18/04/13

céu

o céu da minha boca
tem saudades do céu da tua boca.

folhos, menina, sonhos

phot. by robert wun
 
e eu vestidinha de vestidinhos de sonhos
de folhos de lembranças
e pinças de memórias.
e eu menina outra vez alegre feliz
porque assim sendo é assim que sou.
 
 

em banho-marisa

cansada.

de isto acontecer.
só na minha imaginação.

17/04/13

paralelices

phot. by Ruth Bernhard / Two Leaves.
 
gosto de coisas paralelas:
folhas, linhas, rugas.
casas, casos, costas.
livros, tornozelos, ligações,
risos, corpos, intenções.
gosto que essas coisas paralelas, por vezes, se juntem.
numa interceção ínfima, derradeira, temporal.
Elegante, perfeita, musical.
 

contrato de futuros sobre nós

eu gostava de fazer, contigo, um contrato de futuros.
acordávamos uma data jeitosa.
acordávamos uma quantidade conveniente.
ajustávamos as margens, dia a dia.
e acordávamos juntos.
ai que eu gostava gostava.

conrad roset


b r a n c o

apetecia-me ter um blog branco.
um livro em branco.
uma parede branca branca.
o branco dos olhos ainda mais branco.
o branco da neve na alma.
as brancas do cabelo finas e transparente.
uma caneta de branco de espuma de mar.
e uma página em branco, nova,
para escrever este capítulo da minha vida.

zerno roli

em modo de nevoeiro.

hoje acordei assim.

16/04/13

praia

quando for assustadoramente rica
compro uma praia com areia de veludo
e mar com música nas ondas
e vou para lá ser estupidamente feliz.

contrário

eu gostava de andar ao contrário.
ter as pernas nos braços e os braços nas pernas.
o cabelo nos pés e o mindinho na cabeça.
a boca dentro do corpo
e o coração na boca.
chamar-me ferreira no início e laura no fim.

a gramática do amor

phot. by Egor Shapovalov

Uma vírgula em forma de beijo.
Um ponto final como um entrelaçar de mãos.
Um parágrafo com dois olhos.
Uma metáfora suspirada, suada e sentida.
Verbos, beijos, beijos e verbos.
O meu reino, a minha gramatica e as minhas palavras.
... Por um grama do teu amor.

15/04/13


Lá, onde se reduz o tudo a uma partícula do tamanho do quase nada.
Lá, onde se concentra o perfume, a dor e o tempo.
Lá, onde se fazem pazes e se escrevem cartas que nunca se mandaram.
Lá, onde o horizonte se confunde com o verão e o mar se consegue guardar no bolso.
Lá, onde há cortinas de peixes e um piano sempre a conspirar.
Lá, onde o amor nunca se esgota e a espera se confunde com cada memória guardada.
Lá, onde os teus olhos encontram os meus num ápice, numa nota, numa prova de vinhos, numa peça de roupa escolhida.
Lá, nesse tempo. Que não volta.
Mas que também nunca acaba.

o meu coração quer vestir um vestido de primavera.


estou aqui
estendo-te a mão
e o meu corpo vai-se vestindo de espera.
estou aqui, à tua espera, de mão estendida
com o coração despido.
o meu coração quer vestir um vestido de primavera.

13/04/13


i

ih, gosto…
do ingénuo. do insólito. do inquietante.
do Indiana Jones. de igrejas. de inquilinos.
ideias, idiossincrasias e intempéries.
de intensidade e meninas com nome de “Inês”.
da Ingrid Bergman e da “Ilustre Casa de Ramires”.
...
de iscas de bacalhau e de italianos bem vestidos.
i tenho dito.
 

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