10/04/14

escreve



escreve como quem procura, sempre, alguma coisa.
escreve sem freio, sem dono, sem pejo.
escreve como se amanhã pudesse deixar de haver sol ou verbos.
escreve como se tocasse piano ou bordasse um lençol de linho.
escreve com a bainha de dentro do corpo, aquela que se esconde de todos.
às vezes escreve com dor e com sal de água dos olhos.
às vezes escreve sem luz e sem ritmo e sem tema
sem nada.
só ela. o papel. a tinta.
e a verdade:
que lhe sai, dos dedos,
que conhece os meandros da língua
e que se esvai do coração.

3 comentários:

Luis Eme disse...

escreve... sempre.

Mar Arável disse...

Sempre um prazer visitar o seu espaço
Texto para ler em voz alta

Laura Ferreira disse...

obrigada :)

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