08/10/14

de análises e cenas assim

odeio tirar sangue. perco a racionalidade e transformo-me numa criança fiteira e mimada. insuportável.
depois deito-me no sofá a antecipar a picada e a tremer como varas verdes.
depois sinto-me zonza e apetece-me o colo da mãe ou do meu amor.
depois digo uma piadola execrável para a menina com sotaque para ver se me distraio.
depois a agulha entra e eu tenho vontade de voar dali.
"são só 2 tubinhos" diz ela, loira pintada, com unhas de gel quadradas iguais a todas as unhas de gel quadradas. e ri-se por ela e por mim.
depois lá enche os tubinhos.
depois põe-me um pensinho na picada como se lhe desse um beijinho.
depois diz-me com voz aveludade "está a ver não custou nada".
depois levanto-me e deixo pousada no sofá a pele de criança mimada.
depois transformo-me na mulher.
e, radiante e radiosa, sento-me na primeira confeitaria para emborcar uma senhora meia de leite e um croissant tipo XL com queijo.

Sem comentários:

Arquivo