30/04/15

família

Com a família somos sempre pequenos ainda que já sejamos grandes.
Há sempre a memória de uma brincadeira, de um diminutivo, 
de uma palavra errada que se dizia em bebé.
Com a família acontece, por vezes, uma catarse de deliciosa estupidez, 
como se de repente voltássemos à era dos bibes e das coisas idiotas e genuínas.
Com a família desfolha-se, quase sempre, o álbum de retratos retratados em boas (e tantas) memórias. 
Canta-se o inaudível e as mãos parecem sempre dadas ainda que estejam longe.
Com a família fala-se uma linguagem única, típica e universal.
A linguagem dos bolos Cristina, dos carrinhos de choque na feira, das roulottes cheias de tralha no campismo, do Cebulório e da jogatina, a altas horas.
Os cabelos parecem ter o mesmo cair e as vozes têm uma toada similar.
As vogais abrem-se da mesma forma 
e as expressões partilham-se quase ao mesmo tempo.
Com a família tem-se uma relação a tempo inteiro e um casamento para a vida.
Com a família somos sempre nós.
O coletivo, o individual, os caracóis, os dedos entrelaçados, 
os corações a falar a mesma língua.
Com a (minha) família é assim. E que bom que é.
 


3 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

que bonito isto que escreveste....

:)

Eros disse...

Como diria Wes Anderson numa das suas obras-primas:
Family is not a word... It's a sentence.

Era uma vez um Girassol disse...

Lindo texto....família bonita....

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