18/09/15

prima Cedinha


Morreu-nos uma prima.
Daquelas primas que veio de África. Que veio sem nada.
E construiu, cá, uma vida nova.
Morreu-nos uma prima que era pequenina e gordinha e tinha pele de pergaminho e a quem chamava-mos Cedinha.
Aquela nossa prima nunca se deve ter zangado.
Tinha vestidos de tecido sempre meigo e cheirava a coisas boas. Adorava doces e tinha riso de brinquedo.
Dizia “tátá” quando era para dizer adeus.
Ria sempre mesmo que a vida tivesse sido má com ela.
Aquela minha prima Cedinha tinha sempre uma palavrinha, pequena como ela, sempre na ponta da boca de menina, para dizer a toda a gente.

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