27/09/15

televisão com carne guisada e batatinhas com alecrim.

Quando era criança, a televisão era um acessório. Como um gancho de cabelo, uma flor que se põe à lapela, um par de sapatos que se calçam ao domingo.
Os jantares de antigamente eram servidos com iguarias e, acima de tudo, uma conversa bem temperada e servida na melhor travessa.
Continuo, quarenta e sete anos depois, a lutar por refeições “à moda antiga”. Com a televisão desligada. Com conversas sérias ou comezinhas. Com detalhes partilhados e risota a várias vozes.
Lembro-me ...bem, de uma mesa cheia de gente. Com o calor dos assados e o calor que advém dos laços familiares. Do tempo que ficávamos, depois do repasto, a retroceder dias e a degustar histórias.
Os tempos mudaram. As pessoas também. Mas há coisas, que para mim, continuam a ser eternas.
(a televisão desligada, à hora das refeições, é uma delas).

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