30/12/15

Hengki Koentjoroby


(ela sente sempre comichão no nariz quando se sente irritada)

sim, a lista de objectivos dela, para 2016, é longa e exigente.
sim, ela é uma rapariga exigente.
sim, ela não é nada meiga com as metas que propõe a si mesma.
não, claro que ela não cumpre todos porque é humana e não é uma máquina.
e sim, fica com comichão no nariz.
(ela sente sempre comichão no nariz quando se sente irritada)

29/12/15

best seller

hoje sinto-me capaz de escrever um.
pena que tenha tanto que fazer.

eu quero continuar a querer

que cada novo ano que vem
me vai trazer, sempre, qualquer coisa original.

28/12/15

moleskine

ainda não comprei o de 2016.
nem parece meu.
mas já tenho na cabeça tantos planos para tomar nota...

começar a trabalhar

dá uma trabalheira danada.

21/12/15

feliz natal



Pai Natal,
Deixei-te um recado à porta de minha casa.
Um papel pequeníssimo, já que o que te quero dizer este ano, cabe num único vocábulo.
Estou parca em palavras, este ano, sim. É verdade que nem parece meu.
Mas sabes, tenho visto tanta coisa, tenho presenciado tanta coisa que nem me atrevo a escrever reticências. Quem sabe um dia inventam uma acentuação para exprimir isto que escrevosinto neste momento.
O mundo está esquisito. A ordem natural das coisas transformou-se numa era em que tudo acontece, a uma velocidade vertiginosa, invertendo-se papéis, valores, moral, clima, prioridades.
Vivemos numa altura em que o futuro é já hoje, e é incerto e imprevisível.
Salve-nos, ao menos, o hoje, o agora, o instante que fazemos; a possibilidade que temos de o fazer bem feito, com honestidade e serenidade. Salve-nos a beleza dos momentos belos, a bossa nova, a poesia, os livros e a fotografia, as sopas quentes e as lãs feitas ao serão, as mãos dadas e os pés a caminhar no mesmo sentido.
Salve-nos as pessoas que nos circundam e as nossas casas quentes e o nosso sono descansado. Salve-nos os pequenos momentos que sabemos fazer felizes.
Eu tenho muitos. Trabalho arduamente neles, todos os dias. Para os alcançar e para os manter.
Aquele recado que te deixei à porta de minha casa, o tal pequeníssimo papel, contém uma palavra. Uma palavra de 3 pequeníssimas letras.
Começa por “P”.
Termina num “Z”.
A letra do meio, é uma das palavras maiores que conheço.
Peço-ta para mim e para os meus e para todos.
Para os animais, plantas, Estados e assembleias.
Para o Mundo.

Boas Festas a todos vocês: os que estão comigo e os que me leem todos os dias e comigo se relacionam, por aqui.
Um beijo repenicado de Natal, com música de fundo. Escolham vocês.
Pode ser Frank Sinatra ou Dean Martin.
Rita Lee também calha bem. (na verdade Rita Lee calha com qualquer coisa…)

17/12/15

"pó de sim"


polvilho-me todas as noites
com “pó de sim”
até desfazer todos os meus talvez
até diluir todos os meus nãos.

Carole Lombard photographed by John Kobal, 1933


16/12/15

"mas pra fazer um samba com beleza"



Falam-se de música brasileira e desfaço-me.
É vírico, é contagioso, é quase um reflexo condicionado, como o de Pavlov.
Há dias devorei um documentário sobre o meu Vinícius. E lá estavam todos eles, os que me povoaram a infância e sonhos e a adolescência de doce e morno, os que transformaram a minha vida e me tatuaram acordes na pele: Jobim, Nara, Caetano, Edu, Gilberto, Bethânia… e tantos mas tantos outros.
Como muito bem poderia ter dito o poeta, pode dizer-se que eu sou brasileira demais no coração.

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