18/01/16

diálogos com a minha cabeça


A minha cabeça:
Laura, não penses tanto.
Eu:
Pois.
A minha cabeça:
Já sabes que, quando pensas muito, dá asneira. Faz como ontem. Vê um filme. Lê uma passagem de um livro.
Eu:
Estou a trabalhar. Não posso fazer nada disso.
A minha cabeça:
Então é por isso que estás a escrever?
Eu:
Pois.
A minha cabeça:
Mas vá lá, nos dias de hoje pensas menos nas coisas. “Nessas” coisas. Não digo com isto que não devas pensar nelas. Mas dá-lhes, apenas, a importância que elas têm.
Eu:
Isso gostava eu.
A minha cabeça:
É um exercício como outro qualquer.
Eu:
Às vezes tenho a sensação que passo a vida a fazer exercícios. Vários. Exercício de carteira, de dispensa, de balança, de humor. Logo vou fazer exercício físico. Para ver se não penso tanto.
(Pausa. A minha cabeça está acostumada às minhas pausas dramáticas).
Eu:
Porque é que quando estou a trabalhar numa coisa importante me apetece sempre começar a escrever uma peça de teatro?
A minha cabeça:
Se calhar pelo mesmo motivo que te deténs a escrever diálogos nos quais conversas com a tua cabeça.
Eu:
Pois.
(Nova pausa)
Eu:
Está a tocar o meu telefone de trabalho. Agora tenho mesmo de ir.

2 comentários:

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

Há dias que o nosso pensamento anda em círculo. Volta sempre ao mesmo :) até se conseguir finalmente resolver :)

Beijinho

Laura Ferreira disse...

pois é.
é mesmo isso.

beijinho

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