29/01/16

letras com voz de meninas


na escuridão de fim de cada dia
sento-me no branco dos sentidos
e lavo-me, com a devida relevância,
de poemas, sossegos e silêncios.

depois, quando o sono assoma e se senta
adormeço, a pegar em letras que escorri, dos cabelos, para os lençóis.
deixo-as escoar por entre os dedos
deixo-as soltas e perdidas
deixo-as.

sei que, aos primeiros momentos da aurora,
voltam a escalar-me corpo e mente
arranham-me a pele com voz de meninas
e possuem-me com histórias e cinema.

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