Henri Cartier-Bresson, Lille, France, 1968
gosta de se lá sentar ao sol, todas as tardes de todos os dias da semana.
há quem pare a olhar para ele. há mesmo quem lhe tire retratos.
ele não se importa que olhem. nem tão-pouco que lhe tirem retratos.
importa-se, sim, quando chove. ou quando os dias se tingem em tons de cinza.
e quando a rapariga da casa em frente se esquece de passar, rente à montra,
deslizando com suavidade os dedos de uma ponta à outra
enquanto os seus lábios pronunciam alguma coisa.
deve ser doce, a tal coisa que a rapariga diz.
pois doce é também o toque dos seus dedos no vidro.
é um namoro antigo: a montra, o sol, o gato, a rapariga.
há namoros assim: feitos de singularidades e improbabilidades.





6 comentários:
:)
Bonito Laura
Há namoros que persistem :)
Beijinho
Que lindo! 😀😀😀
Marisa
Namoros quase eternos os improváveis
Que foto tão gira, Laura!
E tu acrescentaste-lhe palavras merecidas. :)
Obrigada a todos.
gosto tanto de vos ver por aqui. :)
beijinhos
Estás mágica Laura. Ainda mais! Cada vez mais!!
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