16/02/16

rendimento básico incondicional e outras coisas que tal


Ontem, quando ia para casa, ouvi na rádio uma reportagem sobre o “rendimento básico incondicional”; o PAN (Pessoas, animais e natureza) irá trazer uma proposta para a criação de um estudo-piloto sobre o mesmo. Ainda que esta medida esteja a ser, ao que parece, seguida em alguns países europeus (suponho que a Finlândia é exemplo disso), assim de repente não me pareceu que Portugal tenha margem de manobra para tal.
Depois, à noite ouvi, nos Prós e Contras, vários testemunhos a relatar a extrema dificuldade de meios no que respeita aos Cuidados Paliativos e um testemunho franco e comovedor de uma pessoa que já fez voluntariado de cabeceira.
Acho que temos um problema enorme com prioridades, neste país.
Eu revejo as minhas, amiúde. Os governantes deviam fazer o mesmo.
Fui deitar-me a pensar em poupanças. Em prioridades. Em ganhos. Em perdas.
Até me deu para pegar nos bocadinhos de cremes, que me dão em embalagens pequenas, quando vou comprar os cremes grandes…

6 comentários:

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

Não ouvi na rádio mas li no Público. Como sempre temos uma visão utópica da realidade, lembrei-me do Qatar, no qual o Emir dá um subsídio a cada cidadão, acontece que o Qatar tem o petróleo e é um regime um pouco diferente, já para não falar em termos sociais.
Preocupa-me profundamente a saúde, preocupa-me muito mais ter que recorrer a um hospital e precisar de algo e não ter, o dinheiro dos nossos impostos não seria mais bem canalizado para essas situações? Garantir cuidados de saúde, cuidados paliativos, qualidade de vida a quem necessita? Penso sinceramente que sim

(eu também aproveito tudo, as embalagens de cremes corto-as e uso as amostras todas)

Beijinho

Laura Ferreira disse...

pois... foi precisamente isso que pensei.
se não temos o básico, como vamos ter o resto?
há coisas que me ultrapassam. ainda bem que não sou a única...
beijinho

Isabel Pires disse...

Na saúde batemos no fundo e quando isto acontece num país é porque o mesmo está de rasto.
A verdade é que quando se tem possibilidades financeiras, as hipóteses de obter um diagnóstico mais célere, tratamentos atempados e com melhor qualidade de vida, crescem exponencialmente. Ao contrário do que por vezes se apregoa, até na doença e na morte somos diferentes.
E isto não é falar de cor.
Há um tempo tinha dois exames para fazer e cujos resultados era muito importante saber com brevidade. A dois hospitais públicos que recorri havia uma lista de espera de seis meses. Demasiado. Fi-los numa clinica privada. E há trinta anos que faço os meus descontos.
Outro exemplo que tem mais que ver com a necessidade de maior humanização dos serviços. Quando fiz a lesão no braço, passei pela urgência de dois hospitais, sendo que no último os bombeiros "entregaram-me" com a informação de que não voltariam para me vir buscar (a não ser chamados e a pagar), que teria de contactar alguém para me ir buscar. O doente que sofreu o acidente? E há sempre família e amigos por perto?
Depois, há determinadas áreas da saúde em que o SNS tem uma oferta e capacidade de resposta diminutas, como é o caso da saúde oral. Um tratamento que ultrapasse o muito básico terá que ser feito no privado e para isso é preciso dinheiro.
E neste desfiar fico-me por aqui.
Há princípios fundamentais de um regime democrático que não estão a ser cumpridos.
Laura, importante trazeres aqui estes assuntos.
Beijo

josé luís disse...

muito bom ;)

Laura Ferreira disse...

Isabel,
tens toda a razão. num país como o nosso, é inacreditável que algumas coisas ainda falhem. e mais inacreditável quando se falam em outras que não as básicas e universais e de todos, por direito...
um beijo

Laura Ferreira disse...

JL, obrigada :)

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