14/03/16

nicolau, senhor feliz

ouvi há pouco a noticia da sua morte. imediatamente pensei "mais um, daquela miríade de pessoas especiais, mais um, dos poucos que já restam".
não é a primeira vez que penso assim, então decidi pensar porque penso assim.
estarão as pessoas especiais - os nomes de referência - a esgotar-se?
nesta sociedade onde a informação se reproduz sem ordem e método, dá-me ideia que a ideia não é ser especial, é ser mais um. um que se destaque.
pelo corpo, pela postura, pelas manias, pelos afectos, pelos namorados, pelas pielas e pelas viagens.
mais um no meio de tantos, que nem precisa de ser tanto porque afinal há tantos por onde escolher.

o nicolau breyner pertencia ao conjunto de pessoas que eu tenho como referências, desde miúda.
que me fez saber e compreender que, para se ser esse tal tanto, é preciso trabalhar, prestar provas, suar, sofrer, escolher. ensinou-me risos, críticas e ternuras.
o nicolau não foi um, não teve um papel. teve muitos, teve-os enormes, teve-os inesquecíveis, imprescindíveis.
orientou e ensinou uma geração, marcou as que se seguiram e alterou, definitivamente, o panorama da ficção nacional.
hoje, quando ouvi a notícia da sua morte, tive a certeza que o meu País e a minha cultura ficaram inquestionavelmente mais pobres.
desapareceu um actor, um homem, um obreiro de cultura e humanidade.
ele gostava de rir, gostava muito,
esteja ele onde estiver, sei que tratará de fazer com que toda a gente fique contente.
porque ele era um senhor feliz.



1 comentário:

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

Acho que o Nicolau foi daquelas pessoas que nos acompanhou o crescimento. Esteve sempre presente quer nos programas de televisão, quer em novelas. Lamento a sua morte.

Beijinhos Laura

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