25/03/16

que faço então aos tantos pedaços de mim que me brotam dos vários pedaços de mim?

hoje dormi muito depressa.
o meu sono não me deu tempo para que todos os meus braços e pernas viajassem e se perdessem 
e se encontrassem em horas já passadas, histórias já acontecidas, conversas já permutadas.
que faço então aos tantos pedaços de mim que me brotam dos vários pedaços de mim?
tenho de arranjar-lhes ocupação profícua. são exigentes, os meus pedaços.
lançam-me dúvidas, abanam-me estruturas, baralham-me as pernas e as ideias,
confundem-se frases e cabelos e metáforas.
talvez lhes dê o colete que ando a fazer em malha, para que mo adiantem,
talvez os sente à frente das minhas estantes de livros.
talvez os ponha a fazer-me a sopa.
talvez os sente tão somente à minha frente
a verem-me escrever estas pequenas coisas
e talvez fiquem depois com ar espantado ou parvinho
e pode ser então
pode ser que se decidam finalmente a recolher a mim
e que me deixem acalmar as mãos e sossegar as palavras
para que me possa dedicar às milhentas coisas que hoje tenho para fazer.







8 comentários:

Isabel Pires disse...

Laura, também podes enviá-los para me ajudarem nas arrumações e limpezas. :)
Brinco contigo... Gostei muito do teu exercício.
Beijo

Maria Eu disse...

Às vezes precisávamos de remendar esses pedaços.

Beijos, Laura, e boa Páscoa :)

Mar Arável disse...

Tudo se move

nesta desordem de cores nos jardins

Castiel disse...

São inquietos como as tuas bonitas palavras que chegam até nós. :)

Desejo-te uma boa Páscoa, Laura. :)

Um beijo. :)

Laura Ferreira disse...

Isabel, faço muitos exercícios destes :)

Laura Ferreira disse...

Sim, Maria, tens razão :)

um beijo

Laura Ferreira disse...

Mar Arável, ainda bem que assim é :)

Laura Ferreira disse...

Castiel, muito obrigada :) beijinho

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