16/03/16

suspiros, andares, espirros e outras cenas

é o que faz trabalharmos com os mesmos colegas há mais de 20 anos.
passamos a reconhecê-los estando nós de costas e apenas pelo barulho dos passos. ou pelos suspiros, por mais miúdos que sejam.
depois também sabemos o significado de um inclinar de cabeça ou até mesmo de uma maneira de rir.
trabalhamos num open space, somos de momento 14.
mais mulheres que homens. assim sendo, mais barulho, movimento, perfumes no ar, sons de tacões, tagarelices, amuos.
é mesmo assim, sem tirar nem por. aqui, pelo menos, é.
há dias em que se não se ouve um pio. só as unhas a bater mecanicamente nos computadores. a porta a abrir e fechar dando passagem aos fumadores. um tossezinha aqui, outra acoli.
há dias em que parece um estádio de futebol; só faltam os apitos.
há cá pra todos os gostos: muito simpáticos (as); simpáticos mais-ou.menos; simpáticos da parte da tarde; simpáticos-surdos; simpáitcos-com-ar-de-enfado; simpáticoempático; simpático zero.
enfim. dava para um texto enorme.
é o que faz trabalharmos com os mesmos colegas há mais de 20 anos.
se estou cheia deles? tem dias.
mas pensando bem, não os trocava por outros.

2 comentários:

Isabel Pires disse...

Laura, não me importo de partilhar gabinete, como acontece actualmente, mas não gosto que haja pouco intervalo entre o espaço de trabalho de uns e de outros. E essa questão de organização do espaço tem muita importância para mim porque eu não socializo em contexto de trabalho e a agitação normal dos outros, quando muito próxima, perturba-me a vários níveis.
A não socialização, que é coisa conhecida e assumidíssima, tem a ver com as circunstâncias e com características da personalidade. A amizade que há com colegas é simplesmente 'alimentada' cá fora.
Beijo

Laura Ferreira disse...

verdade, Isabel.
em contexto de trabalho também acho não ser possível e, na minha opinião e com base em experiências de pessoas que me são próximas, não dá um resultado bom...

beijinho

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