há dias em que tenho várias densidades de várias coisas.
de humor, de vontades, de alegria, de nostalgia.
curioso é quando certas densidades (opostas) de encontram
mas, vendo bem, nada tem de curioso,
porque nesses dias sinto-me implodir
numa combustão surda e impactante
que me tortura sentidos e flagela a atenção.
certa vez nadei num mar morno com duas densidades:
uma antes e uma depois dos bancos de corais.
a mesma água, o mesmo oceano, vertidos em dois tons inimitáveis;
guardo esse azul, essa barreira, esse morno, essa cortina infinda de peixes
como uma das reminiscências mais belas que tive a graça de presenciar.
guardo-a com a forma da emoção
empurrada pela razão
na parede mais leve da alma
aquela cujo tecido precisa de ser ameigado e muitas vezes revisitado.
a memória deste azul
já me tem ajudado a desvanecer
densidades mais escuras.





4 comentários:
Laura, este texto tão bem escrito, não apenas pelo alinhamento das palavras mas também pela emoção que se apalpa nas entrelinhas, fez-me lembrar uma imagem que colo muito a mim, à minha vida, como me vou organizando. É a ideia de camadas. Às vezes estão mais agarradas umas às outras, noutras ocasiões as peças ganham alguma leveza, noutros dias há uma placa mais teimosa que leva a melhor... Vários patamares sem uma gradação e intensidade pré-definidas... Camadas permeadas por escolhas, por acasos, pelo bom, pelo mau, pelo bom que também se apanha e aprende no mau...
As tuas palavras têm a densidade das emoções e a beleza do azul :)
Sim, Isabel... identifico-me muito com essa tua imagem :)
obrigada pelas tuas palavras.
Imprópria, obrigada.
Eu também gosto muito das tuas, tu sabes :)
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