16/05/16

Gosta de pensar na vida, em jardins públicos.


Os reformados à direita, a jogar cartas. As amas com as meninas e seus cães, à esquerda.
O som da fonte. No meio da fonte um menino anjo sem dedos nas mãos.
O rumor do vento nas esquinas dos arbustos.
As plantas a seduzir as abelhas. Som de trânsito.
O voo veloz dos pardais e o arrulhar faminto das pombas.
Um telefone a tocar ao longe.
Os pés dela, juntos. Um carreiro de formigas.
Um banco de jardim com inúmeras inscrições. “Amo-te Sara”. “Viva o Povo”.
As mãos dela com os dedos entrelaçados de dúvidas.
Os olhos escondidos atrás dos óculos escuros.
A banda sonora da Primavera a encaixilhar este retrato.
Gosta de pensar na vida, em jardins públicos.
Talvez porque os jardins públicos sejam espaços tão cheios de vida.

2 comentários:

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

;)

O jardim do marquês continua cheio de vida apesar dos anos e estar diferente. Gosto de ir lá :)

Laura Ferreira disse...

era o meu jardim, quando morava nas Antas :)

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