27/05/16

o jardim de casa dos meus pais (ou um namoro peculiar)


O jardim de casa dos meus pais fica tão engalanado, na Primavera.
É uma sucessão de aromas de flores, de verdes vaidosos e ruídos de natureza feliz.
Quase todas as plantas / árvores do jardim de casa dos meus pais têm uma história.
Ou porque vieram dali ou dacolá. Ou porque foram dados por este ou por aquele.
Gosto de lhe fazer a ronda, com a minha mãe, ao fim da tarde. Como se fosse um namoro antigo.
A minha mãe sabe-o de cor e ensina-mo com o respeito de quem ensina a língua materna.
Atordoam-me os brincos-de-princesa ainda miúdos, o rododendro frondoso, as rosas que se vertem em cores e pétalas de veludo.
Cada planta, folha, semente, pé, raiz, guarda bocados das duas:
dos olhos humedecidos da idade da minha mãe
dos meus olhos encantados face a tal criação natural
do céu que nos acolhe num murmúrio de vento morno.

Este galanteio, do jardim, meu e da minha mãe
ainda um dia acaba em casamento.

4 comentários:

Teresa Borges do Canto disse...

Lindo casamento esse, e é contagioso, vais herdar esse jardim cheio de histórias para contar ao fim da tarde. Gostei desta.

luisa disse...

Linha a linha vejo essas flores e sinto o perfume desse teu jardim. Porque ele já é todo teu. Sente-se isso no enlevo das palavras que aqui deixas. :)

Laura Ferreira disse...

É contagioso sim, Teresa. E ainda bem que é...

Laura Ferreira disse...

obrigada Luisa, na verdade já não passo sem ele... :)

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