02/07/16

amor

as minhas horas não têm sido as tuas horas.
as minhas pernas têm andado longe das tuas. 
o meu pé, à noite, demora a encontrar-se com o teu.
as minhas mãos trabalham em coisas tão díspares das tuas.
a minha cabeça trabalha a tantos de quilómetros de distância da tua.
mas há uma coisa, sabes, que está sempre.
sempre perto. 
como a folha de um caderno. como um dos fios da mesma embalagem de esparguete.
como "aquela" nota única de uma sonata. como o atacador de uma sapatilha.
e essa coisa - o amor - tem a mesma boca e a mesma língua.
tem a mesma cadência e a mesma orientação.
posso estar longe, ocupada, absorvida, mergulhada.
posso andar desvairada de coisas para fazer
posso passar-me de nervosos miúdos
posso comportar-me às vezes como uma miúda.
mas o meu amor e a minha boca - ai esses dois -
vão andar sempre no teu encalço.
esses sim, serão a tua sombra e a minha luz.
sempre.

6 comentários:

Manel Mau-Tempo disse...

que bonito... esse amor :)

luisa disse...

Nem as horas trocadas podem condicionar o amor. :)

Isabel Pires disse...

Laura, gosto especialmente destas palavras... Uma declaração de amor. :)

Castiel disse...

Tão bonito este teu amor, Laura. :)

Laura Ferreira disse...

obrigada a todos :)

um beijo e um xi

Maria Eu disse...

Um Amor com A maiúsculo! E belo!

Beijos, Laura :)

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